Abro meu coração ao fado

Abro meu coração ao fado
Transporto nas mãos minhas penas
Trago meu peito enfadado
D'algumas e outras tantas finezas
Que outrora escrevi e cantei
Noutros braços me perdi e beijei
Aqueles teus longos enlaces
Onde depois me encontrei
Inundada em ventos de calmia
Em ti adormeço noite fria.

Abro meu coração ao fado
Abandono em mim outros fardos
Encerro em sonhos amaldiçoados
Perdoada em mil pedaços
De correntes enfraquecida
Lamento minhas fraquezas
Desdigo-me em incertezas
Deixo para trás aqueles anos
Tenra infância de promessas
Em vão vida e mente, insana.

Sofia Geirinhas (Poetisa do pé-descalço)

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