DIFERENÇAS ENTRE A CRÓNICA E O ROMANCE

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 Há coisas do catano. Eu explico: formei-me em Filosofia, mas doutorei-me em História. Mas para alcançar este doutoramento, eu tive de aprender a investigar. Uma trabalheira de alto lá com ela. Um pobre de Cristo suava as estopinhas, mas, depois de estar feita a totalidade da investigação, era "sempre a abrir". O "pobre de Cristo" sabia tudo: até conhecia a cor da roupa interior da Rainha Vitória. Depois, era só amanhar cerca de 300 páginas de arrazoado e o cozinhado estava feito.

Mas comigo veio a ocorrer outro percalço. Passo a explicar. Depois de me reformar, entendi que me devia dedicar à ficção. A ficção é a liberdade. Tudo depende de nós. Até podemos ter de investigar, mas teremos de dar livre curso à imaginação. Não há documentos que nos digam como é que vai agir aquela personagem, ou aquele outro sacana. Mistério total.

Hoje, tenho pelos Escritores, Novelistas, Contistas, Narradores de Histórias imaginárias um respeito que deixei de ter, ao menos no mesmo grau, por cronistas ou "estoriadores".

Porquê? Porque o parto real, verdadeiro, está com estes e não com aqueles.

Redigi o meu primeiro livro de contos, já no mercado. Não sei se as conjunções astrais se conjugarão para prosseguir nesta aventura imaginária. A diferença está nisto: com tempo e paciência, tu escreves um livro de História. Mas se só tiveres tempo e paciência tu podes não ficcionar coisa nenhuma. Não tens imaginário? Falta-te a imaginação? Então, nada feito.

Imagem retirada da net

Amadeu Homem