MISERERE

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Está tudo a morrer à minha volta. Tudo. O meu jardim povoa-se dos que partiram. Se me aplicasse a narrar a minha geração, quase que teria a dizer: "Não sei, foram-se todos embora".

Se tenho cagaço? - cagaço individual - de ir também, logo a seguir? Naturalmente que sim. Mas o que me dói mais, o que me marca com ferros incandescentes, é que estou cada vez mais sozinho.

Uma geração , conheça-se mais ou menos, é uma comunidade de "sentires" , um universo de identidades, que o tempo vai desgastando.

Por isso digo: estou cada vez mais sozinho. Partiram todos, ou quase.

MISERERE…