*O FADO DOS ROUBADOS*


*Adapta-o, ouvindo, enquanto imaginas os interpretes que conheces*

*e, também, aqueles muitos, tantos, que lembras e não esqueces*

*mais todos os outros, tantos, que sabes existirem e desconheces*

*por cuja impunidade e culpa, de todos eles, tu tanto padeces*

*pelo que te roubaram, e continuam, pagando tu o que não mereces*

*enquanto sacrificando tudo te reanimas entre tantas preces*

*e, nesta vida que levas, de escravo de escravos, não esmoreces*

*mas sabes e calas o que sentes, muito embora não confesses,*

*dificilmente percebendo porque é que ainda não enlouqueces*

*noite após noite, te deitando, sabendo o que sentes, e adormeces*



*mesmo sabendo que dia após dia com a mesma canga amanheces! Oh Zé Povinho!
Enquanto ficares sòzinho no barro, não aconteces!*

*No a,b,c ...da lista não são apenas ricardos que conheces.*

*Descansa, mesmo que te esforces um pouco não adoeces.*

*E, caso julgues que sendo tantos, no fim te aborreces*

*de certeza verás que com tanto exercício só aqueces,*

*pois, quieto e pasmado Zé Povinho, é  que arrefeces!*



*Sande Brito Jr*