O TEMPO DOS DEUSES E DOS HOMENS

 

Lívida fica a luz quando se apaga

por entre densas nuvens no poente.

Os Génios da vida e da mortal partida

espalharam pelo mundo todos os sinais

decifradores dos tempos e dos mundos.

 

Primeiro nasce a aurora ainda vacilante

envolta em tímidas cintilações mal definidas

e logo sobe o sol ao cume do seu reino

cobrindo a plenitude do amplo horizonte

da poalha irradiante que nele se contém.

 

Mas vai perdendo a força na sua marcha imensa

e as radiações auríferas do seu querer majestoso

acariciam ervas e prados, coisas, recessos e animais

com trejeitos e formas pesarosas, decrescentes.

 

O arco azul da abóbada sideral vai apagando o luzeiro

e sobre a terra já só se faz sentir uma final nostalgia.

Cresce o silêncio por entre o impaciente sibilar dos ventos.

Crescem fogos por lareiras viúvas de natural calor

e tudo se prepara para a hibernação do vingado cansaço.

 

Finge Cronos a distracção , como se tudo suspendesse.

Mas tudo recomeça por lençóis de madrugar

e a lividez da luz chega uma vez mais, anunciando

que afinal o fim é só a condição do mundo sublunar.

Art by: -Rafael/Concílio dos Deuses

Amadeu Homem