Pela noite dentro

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São 23 horas! Está frio porque é Inverno! Como sou "possessivo" quero a Praia só para mim!

Mesmo sendo Inverno, de manhã ou à tarde, há sempre alguém solitário que por ali passeia, olhando o Infinito que não desvendo por não conhecer os seus segredos!

À noite, tudo é diferente!

Piso, sozinho, a areia que à minha frente estendo em passo pesado e largo até àquela Rocha onde me abrigo! Aconchego a roupa que visto para evitar a neblina e o frio que se faz sentir!

É assim que consigo o silêncio de que preciso! Só ouço o leve marulhar das ondas, que são pequenas, e o ligeiro silvo do fraco vento que perpassa pelas entranhas das rochas de arestas finas, dispostas ao acaso, junto à costa, deixando no Ar um intenso odor a Maresia! Observo os pequenos seixos arredondados pelas marés, envoltos na espuma branca das ondas, que, lentamente, se vão espraiando!

Levantando o olhar ao Céu Azul escuro, vejo o prateado difuso das longínquas Estrelas, sem as contar, porque a neblina não o permite!

A Lua, que queria ver, escondeu-se! Escondeu-se atrás do invólucro das Nuvens que se vai enchendo com a água do Mar e, lentamente, se afasta com a Bolina! Mas a Lua continua escondida!

Olhando à esquerda, vislumbro o recorte do molhe, meio sumido na penumbra e o velho Farol que pisca o olho aos Navegantes, como que lhes dizendo "aqui é terra, aqui há vida"!

Já muitas vezes o tinha feito! Na procura dos recantos dos meus silêncios! Tentando perceber medos que não tenho, no meio da Noite que me encanta! Nos meus encantamentos!

Outras vezes no aconchego do Lar, que não me permite observar a. rigorosamente organizada, disposição do Universo, plantada no Cosmos, obra Prima do Génesis, que ninguém, realmente, conhece!

Ali, sinto-me mais perto de mim!

Porque sou possessivo, quero a Praia só para mim!

Imagem da net

Luís Constantino