2019 - CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE FERNANDO NAMORA

"CADERNOS DA JUVENTUDE" (1937)

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Após a fundação e direção da I Série (1935/1936) de "Alvorada". jornal dos alunos do Liceu José Falcão e da publicação, com Artur Varela e Carlos de Oliveira, do livro de novelas "Cabeças de Barro" (1937), Fernando Namora participa, com Manuel Filipe, Frederico Alves, Joaquim Namorado, Manuel da Fonseca, Mário Dionísio, Políbio Gomes dos Santos e António José Soares, no lançamento dos "Cadernos da Juventude", iniciativa editorial de António dos Santos Abranches.

O seu primeiro (e único) número acabou de imprimir-se a 18 de novembro de 1937 nas oficinas da Tipografia Lousanense, e foi imediatamente apreendido pela P.V.D.E. (Polícia de Vigilância e de Defesa do Estado, criada em 1932 por fusão da Polícia Internacional Portuguesa e da Polícia de Defesa Política e Social, e que em 1945 seria substituída pela P.I.D.E. - Polícia Internacional e de Defesa do Estado).

Todos os exemplares apreendidos foram queimados numa fogueira acesa no pátio do edifício do Colégio dos Lóios ou Colégio de S. João Evangelista, no Largo da Feira (hoje Largo da Sé Nova), onde ao tempo funcionava o Governo Civil e a delegação da P.V.D.E..

Como recordará Namora ("Um cavaleiro de esperanças", em "Um sino na montanha"): "Estes «Cadernos» eram dirigidos por Joaquim Namorado, Políbio Gomes dos Santos, [João José] Cochofel e alguns mais, e creio que da fogueira ateada em sua honra nos pátios do governo civil apenas se salvaram três exemplares. Foi o nosso primeiro encontro com a fúria inquisidora."

Um dos exemplares salvos serviu para a sua edição facsimilada, promovida pela Câmara Municipal de Coimbra em 1997, com apresentação de Carlos Santarém Andrade.

O sumário desse número único inclui o ensaio de Manuel Filipe, "Considerações sobre a missão do intelectual e o problema da cultura", a novela de Frederico Abreu, "A bigorna", poemas de Álvaro Bandeira (pseudónimo de Joaquim Namorado), "Poema da manhã clara", Manuel da Fonseca, "Santas de sofrer", Mário Dionísio, "Poema do sacrifício sublime", e Políbio Gomes dos Santos, "Génesis", e a resposta de Abel Salazar ao inquérito "Quais as ideias que em Biologia mais interessam à juventude de hoje".

 

A capa é da autoria de António José Soares e insere um desenho de Fernando Namora.

Mário Torres