Ai Costa, Costa...

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A ingratidão começa no acto do favor prestado. Devias saber disto.

O povo está cansado de promessas meias cumpridas e como é de memória mais curta que a minha reforma, reclama. O pior é que tem razão tal como a tinha no tempo de passos que já esqueceu.

Eu a ti prolongava o fim de semana. Assim as greves eram marcadas ás quintas feiras e o zé povinho trabalhando a meio tempo talvez se calasse. Até porque o ordenado quase cobriria o tempo de função.

Claro que ganham pouco ! Se é por alguns ganharem em demasia não sei. Eu até parece que vou ser aumentado dez euritos... estou contente ? o tanas ! Mas não faço greve por via disso até porque a massa faz jeito para cobrir o que não devia ser preciso.

Já que estamos em maré de reivindicações aproveito, não por ingratidão, mas por sentido de justiça: como pode um tipo que se reforma aos 65 anos com 44 de descontos, receber menos do que muitos que nunca descontaram um chavelho !?

Acaba lá com essa treta da sustentabilidade no meu caso e no de tantos outros. Vai em frente dando a quem mais precisa e deixa os outros falar. Lembra-te que justiça não é igualdade, apesar de te estarem a fazer o mesmo que ao outro que parecem querer de volta.

Sabes que se falhas e a geringonça se quebra, abre-se o caminho a um qualquer salvador da Pátria. Põe os olhos nas Américas !

Governar deve ser uma chatice dos diabos quando o pilim não chega para satisfazer todos os que queremos, até porque o que sobra não dá para aqueles que precisam. Muito menos para os de espírito que não entendem, tal como eu, para onde foi durante tantos anos a massa dos nossos impostos... assim como não entendemos essa coisa dos bancos que nós pagamos onde se diz que os ladrões se passeiam rindo de nós.

Nem todo o tempo que me resta basta para entender como um negócio que trabalha com dinheiro dos outros, cobrando juros a outros, de dinheiro de outros, vão à falência... e nós outros, continuamos a pagar !

Ai Costa , Costa...

Art by: José Eliseu

José Eliseu