Aula de pintura

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Nisto das aulas de pintura, nem sempre são só os alunos a aprender...

Entendi eu que, por nunca ter tido contacto com tintas, tela ou pincel, o deveria pôr a preencher espaços delimitados para se familiarizar com o material e ganhar firmeza nos recortes.

Depois se veria.

Acontece que o jeito era pouco e a coisa foi-se prolongando no tempo e o puto fartou-se.

- Ó mestre, eu quero é pintar coisas!

Não adiantava explicar que ainda não podia ser. Que os outros já cá andavam há mais tempo, que... etc, etc.

Não parava de me azucrinar a cabeça, até que me rendi.

Peguei na maçã vermelhinha que eu trazia para o lanche, coloquei-a em cima da mesa e disse-lhe:

- Pois bem. Quero isto pintado como deve ser. Vou para a sala ao lado porque quero ver do que és capaz sozinho. Quando tiveres acabado vai ter comigo.

- Tá bem. Que cor é que uso?

Respondi-lhe meio torto:

- Tanto faz. Quero é isso em condições, sem falhas!

Vinte minutos depois veio ter comigo.

- Pronto, já está.

- Não pode! Vamos lá ver isso.

Entro na sala de pintura e para espanto meu, no cavalete a tela continuava branca. Já sobre a mesa, a maçã estava impecavelmente toda pintada de azul!

- Então? Posso ou não posso começar a pintar coisas, assim, tipo paisagens?

O resto vocês adivinham...

Arte: José Eliseu

José Eliseu