Café Central
Café Central
I
É normal que quaisquer cafés vazios
Sem clientes não paguem a senhorios
No Apalpa “habitué” de meninas e vadios
Instalado na periferia pouco iluminada
A situação de tal clientela ia ser mudada
A casa remodelada e a frequência decente
Incumbência dum enricado “de repente”
Procedeu a inquérito à virtual clientela
Que nada adiantava a renovação sem ela
Ao pedir o nome para Café decente moral
Lhe sugeriram qual paradoxo “Café Central”
E lhe pediram higiene e bons serões musicais
Que das Beiras fosse a Lisboa e sem mais
Contratar um “sexteto” de virtuosos tais
Cada quatro instrumentos tocasse bem
E contratasse um bom vocalista também
II
Sem faltar marimbas clarinete acordeão
Trompete com surdina flauta rabecão
Timbales trombone de varas ou de pistão
Os três saxofones violino fagote violão
Banjo para country de tango o bandoneão
Requinta bombardino e o adufe regional
Bandola bandolim bateria oboé etc. e tal
Seria a parafernália de filarmónica virtual
lII
Quando da abertura solene os convidados
Ouvindo o elemento canoro e espantados
Chamam o proprietário que displicente
Com seu ar de novo-riquismo evidente
Lesto e em tom jovial lhes disse a sorrir
Para explicar os quatro músicos somente
Do “sexteto” dois “tetos” não quiseram vir
Edgard Panão
(in,Campos de Sombras Ed.Minervs-Coimbra
