Capela Gregoriana Psalterium: um coro gregoriano de Coimbra

Capela Gregoriana Psalterium: um coro gregoriano de Coimbra

 

O canto gregoriano constitui a matriz da música ocidental. Apesar da sua longa história, remontando segundo a tradição à reorganização da liturgia empreendida pelo papa S. Gregório Magno (fins do séc. VI), o canto gregoriano permanece vivo e jovem, continuando a inspirar, instruir e encantar músicos (crentes ou não) e crentes (músicos ou não). Nas palavras de Olivier Messiaen, um dos mais influentes compositores do século XX, o canto gregoriano constitui “o tesouro mais belo que temos na Europa”.

Um exemplo particularmente ilustrativo da intemporal força cultural, musical e espiritual do canto gregoriano pode ser encontrado numa melodia que inspirou Beethoven para o tratamento musical da Ode à Alegria de Schiller (“Ó alegria, bela centelha de divindade, (… ) Todos os homens se tornam irmãos por onde passa o teu voo gentil.”). A melodia que hoje atribuímos ao célebre compositor é de facto praticamente decalcada da súplica litânica ao Cordeiro de Deus utilizada na liturgia da Virgem Santa Maria. De forma ainda mais inspirada, ultrapassados os horrores de uma guerra em que a Europa mais uma vez derrotou uma versão recauchutada do velho culto do imperador, foi esta melodia gregoriana, na síntese beethoveniana, que a Europa escolheu como símbolo. No hino musical da Europa moderna ecoam assim não apenas os princípios da liberdade, igualdade e fraternidade, mas também a memória identitária condensada nas perenes súplicas ao Cordeiro: “Tende piedade de nós!”, “Dai-nos a paz!”.

Como acontece com tudo o que a cultura humana foi produzindo de valioso, também o canto gregoriano necessita de uma aprendizagem. Quem ouve e quem canta necessita de aprender a escutar o texto vestido de melodias filigranadas. E o desvelo não é apenas melódico. Os actuais executantes dispõem, conjuntamente com a notação da melodia, da transcrição das antiquíssimas notações rítmicas através das quais é expressa com um rigor ainda hoje inigualado a articulação rítmica pretendida e a própria dicção.

É a uma séria aprendizagem e estudo do canto gregoriano, bem como à sua execução e divulgação que se dedica, desde 1998, o coro conimbricense “Capela Gregoriana Psalterium”. Formado exclusivamente por vozes masculinas e dirigido por Alberto Medina de Seiça, conta pois já com quase duas décadas de um inestimável serviço à cultura, à música e à espiritualidade, tornando este património vivo e próximo de todos. Em Coimbra ou levando e prestigiando o nome de Coimbra por onde passa. Editou recentemente o CD “Mysterium Crucis”. Presentemente, prepara-se para uma digressão ao Vaticano onde participará em Dezembro numa celebração na Basílica de S. Pedro.

No próximo dia 6 de Novembro, às 17h, apresenta na Igreja de S. José, em Coimbra, um recital de canto gregoriano e órgão, também como forma de recolha de fundos. A entrada é livre.

 

27 de Outubro de 2016

Rui Vilão