Coimbra

COIMBRA

 

Coimbra berço de infantes

de secular coroa almedina

em manto negro de reinantes

embandeirando a tua colina.

 

Noutros tempos que já lá vão

soubeste ser coluna vertebral

do lusitano império anfitrião

das cinco quinas de Portugal.

 

Gentes de casta e linhagem

com honra cruzada ao peito

por preservarem a linguagem

desse português mais perfeito.

 

Coimbra inicial mãe da cultura

com o Mosteiro de Santa Cruz

daria à sabedoria progenitura

com a universidade a que deu luz.

 

Coimbra de orgulho e vaidosa

de ruelas estreitas e almedina

e Senhora da tal porta especiosa

que na Sé Velha exibe e fascina.

 

Ah Coimbra romanceada

rainha e deusa apaixonante

que se deseja por namorada

no sonho de cada estudante.

 

Dos mantos feitos de amores

a cada quatro de Julho feriado

caem rosas sobre os andores

como Isabel havia inspirado.

 

Nas pedras gastas da calçada

ecoam timbres de rendição

a esse teu fado de guitarrada

que em Coimbra fez tradição.

 

Levanta-se a voz masculina

ao som da guitarra afinada

que à alma emociona e fascina

a cada simples corda escutada.

 

Coimbra sereia do rio Mondego

oásis fértil de seio elevado

à plenitude do céu num aconchego

que de saudade chora o teu fado cantado.

 

Rita Soares