El agujero

El agujero
I
Buraco, o vazio tem de ser,
é uma espécie de nulidade,
mas, buracos tem de haver,
e sua essência é a utilidade.
II
Cada buraco, por nada ter,
as grandes vantagens dá,
é a sua utilidade ,é o poder
de o usar, que nada lá está.
III
A roda sem um buraco ter,
é a mais radical imobilidade,
por não poder o eixo meter,
e sair da própria localidade.
I V
De uma vasilha qualquer,
seja ela, mesmo barro for,
a coisa que dela se requer
é o seu buraco, no interior.
V
Também, para a poesia se fazer,
tem de haver buracos no peito,
para com ela, o poeta a seu jeito,
o seu vazio e de doutros encher.
VI
Houve sempre buracos
e vai continuar a haver,
celestes, humanos, cacos,
dão a vida e o poder viver,
para no fim dela, nos reter.

Edgard Panão