Espetáculo espetacular

 

Não, não é redundância. É real, pois podia ser um espetáculo sensaborão, medíocre, sofrível ou de nem o vimos, e nunca espetacular. Sim, que espetacular quer dizer mesmo espetacular.

Espetacular é o que vai acontecer logo à noite, na noite bem “entrada”, não de copos mas de horas, mesmo horas das de minutos e segundos, com h, às vezes maiúsculo, e nunca sem ele, que seria oras, oras que dificilmente acontecem: há um ora, e só quando o repetimos – ora, ora, ora, por aí adiante - é que acontece falarmos nos muitos oras do locutor.

No largo padre Estrela, o padre que, durante muitos anos, paroquiou – e não padreou, que isso, por extensão, só se adequava ao Padre Boi, pai, diz-se, de dezenas de filhos - a freguesia de Santo António dos Olivais em que deixou boa reputação.

Pois no largo, fronteiriço aos arcos que antecedem a escadaria que dá no templo e com um desvio no cemitério – ou “se m’intendes” – ergueu-se, quer dizer, foi erguida uma “tela”.

Segundo se propalou e propagandeou, cerca de cento e vinte litros de água, provenientes de, mais uns menos uns, o que equivale a cerca de quatrocentos tubos, lançados a um máximo de seis meros de altura serão o ecrã de um espetáculo “piro-aquo-musical” – quem inventou isto pirou mesmo -  que engloba, inclui, põe a nu ou outros termos quaisquer desde que afins, a projeção de imagens da freguesia, ideado e promovido numa tentativa de “modernizar e atrair mais visitantes” à Romaria do Espírito Santo,

Este espetáculo, inédito, serve também para deixar a marca do nosso amigo Manuel de Oliveira e respetiva equipa, que mais não fizeram porque, dizem, encontraram os cofres vazios até à subcave, isto é, com um buraco de todo o tamanho.

E se não for pedir muito, talvez não seja má ideia renovar o espetáculo todos os meses, salvo se D. Carina o obstaculizar.