FAMÍLIAS E " FAMÍLIAS "

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 Desde há muito que os teóricos da vida pública dizem que "em Política, o que parece, é ". O Partido Socialista, ao ter cedido a um recrutamento de natureza familiar para vários cargos polícos, deu o flanco aos ataques que está a sofrer , por parte dos que no passado fizeram exactamente a mesma coisa. Ou seja: incorreu no "pecado" que já fizera "pecar" os governos que o precederam.

É conveniente que se legisle acerca deste assunto, não sendo verdadeiro o argumento de que "o bom senso não se legisla" . Pelo contrário, é conveniente que a legislação, em todos os domínios, venha a reflectir este bom senso equilibrador.

Há, porém, toda a conveniência em desdramatizar este episódio. A razão fundamental desta desdramatização radica no facto de ser inegável que os partidos políticos não são mais do que "famílias ideológicas" . As regras do jogo político encaminham-se, assim e muito naturalmente, no sentido de se fazerem recrutamentos de agentes políticos no seio destas "famílias" políticas informais. Não passaria pela cabeça de ninguém que , existido em funções um governo socialista, este se fosse "abastecer de quadros" no âmbito da "família centrista", da "família comunista" ou de outra qualquer "família" ideológica distinta da sua própria "família".

Ver as coisas deste modo é vê-las, segundo creio, não só com realismo mas também com uma interpretação concordante com o espírito do sistema político.

O resto é "farelório" de que se alimenta a demagogia pré-eleitoral. Façam lá a legislação deste sector e voltem a página depressa, que isto já começa a cheirar menos bem.

Amadeu Homem

 

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