JOSÉ FALCÃO

 

… Morte cruel, sinistra morte! Completou-se a derrocada. Está de luto o paiz.

O crente, o puro, o immaculado, o sabio, morreu.

Fomos deixal-o ao cemiterio…

Num recanto modesto, por traz da egreja,

(…)

… Escureceu. O prestito chega, vagaroso, vagaroso…

(…)

Alguem falla… Tem lagrimas na voz…

Este sim! – era amigo: dil-o sem rodeios, ao despedir-se do companheiro de 20 annos, n´um paroxismo de dôr augusta, sacrosanta, por que é sentida…

«Adeus, Zé Falcão!»

… E n´este Zé a que a turba, bestialmente, alvarmente sorriu, ia tanto amor, tanta sinceridade… que o mort, por certo, o agradeceu como a só coisa boa, digna d´elle, que foi a honra, foi a lealdade, foi a pureza…

… Depois d´este, a rhetorica cathedratica, a rhetorica do partido, a rhetorica academica…

(…)

Entre os discursos um houve, porém, que faria sorrir o austero burilador de phrases concisas, (…)

Foi o de Antonio José d´Almeida.

(…)

Oh! Se em vez de bradar: «Morreu o grande homem!» Antonio José dissesse que tinhamos alli, enlaçadas, confundidas, amalgamadas pela morte, todas as esperanças, todas as aspirações, todos os ideaes d´este torrãosito bem-amado; que tinha morrido o penhor da felicidade, da honra, do renascimento, da gloria da nossa nacionalidade: - Antonio José teria encarnado em si todo o pouco que de bom ainda resta no povo portuguez…

Não o disse; mas, infelizmente, desgraçadamente, todos o advinharam.

… Portugal morreu em Alcacer Kibir e enterrou-se hontem em Santo Antonio dos Olivaes…

… Morte cruel!... sinistro enterro…

 

Fernão Vaz [Joaquim Madureira]; 1893: 21/25

In João Baeta -Penedo d@ Saudade – TERTÚLIA  -Imagem  João Baeta