António Nobre

 


António Nobre aos 21 anos

(…) em Coimbra, pelo inverno de 1888, o poeta se fotografara, metido na sua batina negra de estudante, até aos pés, e na cabeça enterrado o barrete negro e comprido, com o feitio de saca, as mãos escondidas sob a capa também negra. Mandou esse retrato a um amigo, com esta dedicatória:

“Vasco, 
Mando-te (estamos no inverno)
Esta saca de carvão,
Que nunca se extingue; é eterno!
Não a deites no fogão,
Que dentro vai uma braza,
Que se chama coração.
Aquece-te os pés… e a casa.”

Aureliano Leite; 1938:183

Enviado por Dr. João Baeta