O Pátio da Inquisição

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I

Hoje a aula de História

foi numa visita lá fora,

local de triste memória,

Asilo de velhos, agora,

lI

Mal olhei a arquitetura,

fixando asilada criatura,

antevi-me  ao espelho,

se, um dia, chegar a velho;

imaginei, parecia uma figura,

com o bilhete virtual na mão,

paga do direito de antemão

de sair dali para a sepultura,

em tumba ou ornado caixão.

III

Para me poupar a tal situação,

abeirei-me da cabeça de neve,

bigode arrumado, pera cofiada,

perguntei  onde é que esteve´

respondeu que teve vida folgada,

fora  feliz com a esposa amada,

viviam em mansão, rica morada,

que agora não lha servia de nada,

fria e deserta e desaconchegada.

IV

Que sua vida foi pouco avisada,

e do futuro sem pensar nada;

agora, pela infeliz experiência,

se na força da vida antevisse.

prevenia o que reserva a velhice.

V

Em coisas diferentes investia,

não acumularia bens fungíveis,

procurava colher mais simpatia

e cultivar amizades possíveis,

o que só encontrei neste Asilo;

era mais feliz, que em casa, dizia,

era o que pela seu aspeto se via;

aparente paradoxo, vivia tranquilo,

que o céu teria uma vaga a esperar

com o seu arrependimento ganhar.

VI

Afinal, nem dei pela aula passar,

desde deste dia já estou a pensar,

qual vida que vou escolher e levar;

para, quando velho, não me asilar,

tento ser quanto possível empático,

quem sabe, se um dia, carismático!

Edgard Panão