Ou coisa ou sai de cima

 

“A ministra Francisca Van Dunem, reiterou, hoje, o empenho do Governo na construção do novo Palácio da Justiça de Coimbra, ao intervir nas comemorações dos 100 anos do Tribunal da Relação. Sem precisar datas nem mais elementos concretos, quando questionada pelos jornalistas, a titular da pasta da Justiça referiu, apenas, que o processo para a construção das novas instalações, junto ao atual edifício, está a seguir os seus trâmites, estando a decorrer o programa preliminar.”

 

 

Programa preliminar a decorrer. Muito bem, é cada vez mais aceite a importância dos preliminares. Questiona-se mesmo se sem preliminares de qualidade se poderá ser bem-sucedido. Por vezes a ausência de preliminares, bem como se os mesmos tiverem curta duração ou se forem de qualidade medíocre, hipoteca um desfecho satisfatório, impede um clímax na verdadeira aceção da palavra. Isto pode encontrar-se em diversas revistas cor-de-rosa especializadas neste e em outros temas, devidamente fundamentado por peritos na coisa, na coisa e no coiso bem como no coisar. Mas isso é nas “revistas femininas” cheias de palpites e conselhos. Mas não são tão exaustivas a analisar as consequências se o período de preliminares for extenso demais. Poderá levar a um adormecimento, a um menor ímpeto e quiçá mesmo ao matar do desejo e “elán” existentes? Acho que pode, por isso há um tempo para o preliminar e depois há que avançar para o nível seguinte.

Ora é aqui que a coisa fica mais séria. Há décadas que os preliminares estão a decorrer no caso da construção do novo Palácio da Justiça de Coimbra.  Mas demoraram tanto tempo que o adormecimento foi inevitável. Numa tentativa recente a Câmara de Coimbra mandou limpar o terreno como que a dizer avancem, estamos prontos. Mas deu fraco resultado, parece que a fase dos preliminares, que já tem décadas, continua, foi um “passar o corredor a pano” inócuo e sem que a coisa e o coiso comecem a coisar.

E assim vai indo a cidade de Coimbra. Uns beijitos e uns apalpões aqui, uns piropos e uns galanteios acolá, mas consumar o acto, está quieto. Ficamos pelo eternizar dos preliminares, pelas intenções. Foi assim no Metro, no Iparque, no Parque Verde, na Baixa, no silo para servir os HUC, na estação de Coimbra B , na estação rodoviária… em Coimbra quem tem de coisar, nem coisa nem sai de cima!

Rui Rodrigues

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