PEQUENAS "ESTÓRIAS" DA HISTÓRIA DA ARTE COIMBRÃ.

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A vigarice dos doces conventuais.

AS NEVADAS DE LORVÃO, uma invenção de 1976.

Nos folhetos turísticos as famosas "nevadas de Lorvão", que se vendem sobretudo em Penacova, são impingidas como doces conventuais, que foram inventadas pelas monjas cistercienses, em tempos imemoriais.

Ora, a verdade é que nasceram, na Primavera de 1976.

Eu e o Professor Doutor Padre Nogueira Gonçalves levávamos os alunos dos cursos de Verão e os alunos das cadeiras de História da Arte, todos os anos, ao Lorvão. Não havia, em Penacova, mais do que um modesto café, hoje melhorado, junto do miradouro. O meu bom Mestre resolveu actuar. Para comer, naqueles tempos, só havia umas sandes de papo seco com queijo e, às vezes, fiambre.

Então, numa das idas preparatórias, chamou o dono de café e perguntou-lhe quem cozinhava. Abreviando, veio a mulher dele e o Doutor Padre Nogueira Gonçalves mandou-lhe fazer massa de pão de ló, gemas de ovos batidas com açúcar, e açúcar em ponto. Ao fim de uma hora tinham nascido, ali à minha frente, os novos "pastéis tradicionais", "centenários :) sendo baptizados pelo ilustre historiador como nevadas.

Fomos depois ao Mosteiro de Lorvão falar com o pároco, para marcar a visita e, de regresso ao café de Penacova, já estava a primeira dúzia de nevadas concluída. Comemos logo quatro, acompanhadas de um galão quentinho, e trouxemos as restantes para minha casa e para o Seminário. O Professor Doutor Nogueira Gonçalves encomendou logo 50 nevadas, que pagou do seu próprio bolso, para estarem prontos, às 11 horas do sábado seguinte, para dar uma a cada aluno.

E ASSIM FOI. TODOS GOSTARAM DO BOLO TÃO TRADICIONAL DA "DOÇARIA CONVENTUAL" ........ e ainda hoje a aldrabice que nós os dois engendrámos continua a dar lucro aquele e a outros cafés de vila e da aldeia lorbanense, e os turistas a comerem "a coisa", como algo com larga tradição e com origem nas mãos das boas da monjas de Cister.

Uma mentirinha piedosa, para aumentar os rendimentos locais e para que quem visitava a zona, nesse anos da década de 70, tivesse alguma coisa para comer :) :) :) . Isto é história da História da Arte.

Pedro Dias