Por Portas e Travessas

 

Os meus dois primeiros anos de vida em Coimbra – tinha 12 anos quando cheguei à urbe – foram passados na Baixa da cidade, mais propriamente na Rua das Padeiras.

Conheci as cheias, as brincadeiras nem sempre salutares da miudagem que, nada e criada lá, tinha dificuldade em aceitar-me, rapaz do liceu, e eu em adaptar-me, uma malta de “modus vivendi” muito especial. Os próprios Viegas, manos e primos, embora “baixistas” de nascença, eram olhados de soslaio.

É sobre essa malta - uns anos bem mais novos que eu e os Viegas, e outros cujo nome já não recordo - esperta e atrevida, cheia de sonhos, que Carlos Pinto dos Santos escreve no seu livro “Por Portas e Travessas”, que encontrei em exposição no stand da tipografia Damasceno no Parque Dr. Manuel Braga.

Dos vários comentários insertos na contracapa, respigo:

“Dos confins da Península Ibérica chega-nos este livro de memórias e reflexões, escrito com o olhar da época, apenas temperado  com a realidade dos dias de hoje, influenciados pela nossa cultura – cinema de Hollywood, livros de aventuras, Rock and Roll – estes miúdos só não foram para gângsteres porque o país deles já lá tem muitos”.

O livro, bem escrito, lê-se com muito agrado e interesse, sem vontade de parar a leitura. No fim, há água a crescer na boca.