Rio Grande

 

Rio Grande

Rio longo, largo, volumoso e fundo
entre margens, ao encontro do mar
à distância, ora límpido, ora imundo,
há milhões de anos, sempre a chegar.
 
Os campos araveis, manso ou iracundo,
nunca te retiveram, deixavam-te passar,
até sofreres os ataques dum novo mundo,
de teu longo curso as águas te roubar.
 
A razão dos ataques ninguém quis saber,
retirar tuas águas era essencial para viver;
triste Rio, ora minguado de água, anos após,
 
o teu caudal já não é o antigo para te mover,
chegas ao mar, em lenta agonia e fétido sofrer,
Rio Grande, ingloriamente, vais morrendo na foz!
Edgard Panão

( in,Campos de Arruda Ed. MinervaCoimbra