SAUDADES DE COIMBRA

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Dizem-me, porém, que apezar de tudo, apezar da frivolidade pautada dos dias
da Coimbra academica d'hoje, terei saudades 
d'estes dias. Ter saudades de Coimbra é para o bacharel um tributo tão
obrígatorio como o pagamento da congrua para o cidadão inscripto na matriz.
Seria menos attentatorio dos nossos preceitos sociaes visitar alguém em
chinellos, do que sahir de Coimbra sem a alma retorcida de saudades. 
Póde representar torturas, difficuldades monetarias ou inteIlectuaes de toda
a especie a conquista da bacharelice. EIIa póde equivaler a um numero sem
fim de humilhações, de desalentos, de anciedades, de faltas d'ar e de
confôrto, de revoltas e de desdens. Mas conduido o quinto anno, preparadas
as malas, o bacharel observador dos bons costumes começa a desdobrar o lenço
para enchugar lagrima. E enchuga a lagrirna ao chegar á Estação-Velha, ao
perder de vista a silhueta ondulada da cidade, ao entrar na terra abraçado
por parentes e amigos. E a todos assevera, os olhos humidos em alvo, a voz
rouca da commoção, a mão espalmada sob peito: 
- Ai, aquillo sim, meninos! Vida como aquella não torna!... 

SOUSA COSTA: 191?; 218/219

Dr. João Baeta