Se soubesse é que era para admirar…

 

A Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) disse hoje ainda desconhecer a razão do surto de gastrenterite aguda numa colónia de férias de Montemor-o-Velho, situação revelada pelo presidente da Câmara local na sexta-feira. 

“A Unidade de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Mondego iniciou a investigação do surto no dia 29, altura em que teve conhecimento da situação. A informação até agora recolhida permite equacionar várias hipóteses de vias de transmissão da doença (exposição alimentar, a água recreativa, a ingestão de água, a agentes químicos, pessoa-a-pessoa), sendo mais plausível a etiologia viral tendo em conta as características clínicas e epidemiológicas até agora conhecidas”.

A ARSC diz ainda que, “desde essa data, foram observados mais um adulto, uma criança e uma jovem no serviço de atendimento do Centro de Saúde de Montemor-o-Velho e no serviço de urgência do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra”.

O presidente da Câmara de Montemor-o-Velho disse, na noite de sexta-feira, que, nos últimos dois dias, foram reportados dezenas de casos de vómitos e diarreias na região do Baixo Mondego, sendo as causas ainda desconhecidas.

Em declarações então à agência Lusa, Emílio Torrão afirmou que a autarquia alertou as autoridades de saúde para a situação, tendo identificado “mais de 50 casos” de crianças, jovens e de adultos com vómitos e diarreias na quinta e na sexta-feira, a maioria dos quais esteve na chamado Pontão da Ereira, uma zona balnear existente junto ao rio Mondego, interditada nessa altura preventivamente pela Câmara Municipal.

No mesmo dia, contactada pela Lusa, a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) confirmou que a Unidade de Saúde Pública (USP) do Agrupamento de Centros de Saúde do Baixo Mondego “tem estado a acompanhar a situação” desde a tarde de sexta-feira, após alerta da autarquia de Montemor-o-Velho, mas apenas confirmou os casos de cinco crianças assistidas na urgência do Hospital Distrital da Figueira da Foz “com sintomas de náuseas e dores abdominais”.

“Mas todas tiveram alta, dado tratar-se de situações benignas”, adiantou.

De acordo com a informação da autoridade regional de saúde, “ainda não foi possível apurar as causas da indisposição das cinco crianças” que integram uma colónia de férias com 130 participantes, argumentando que a Unidade de Saúde Pública “prossegue com as pesquisas nesse sentido, tendo sido tomadas medidas adequadas à situação e que passaram pelo reforço da higiene”.

 

Em comunicado, a ARSC diz igualmente que “as situações conhecidas têm tido evolução benigna, tendo as crianças melhorado e regressado a casa, sem necessidade de internamento, após terem sido consultadas no SU”.

“Até à data de hoje, o número de casos observados em instituições de saúde não configura situação epidémica relativamente à população residente na área de abrangência destas instituições.

 

Ainda não foi possível estabelecer relação epidémica entre os pacientes até agora observados que permita formular uma hipótese explicativa causal de origem comum desta patologia benigna com predomínio de sintomas gastrointestinais”, explica a organização.

 

No entanto, refere a ARSC, “é, contudo, comum observar-se este tipo de doença provocada por agentes virais sazonais por via alimentar, difíceis de identificar e que provocam casos dispersos de doença benigna com rápida resolução dos sintomas, o que pode explicar que tenha havido doentes que não sentiram necessidade de acorrer aos serviços de saúde”.

 

“Entre as várias medidas desenvolvidas pela USP, incluem-se, entre outras, recomendações aos intervenientes sobre prevenção da transmissão da doença, medidas de reforço de higiene e segurança de espaços que frequentaram, de higiene pessoal das crianças acompanhantes de manipuladores de alimentos que forneceram as refeições.

A USP do ACeS BM vai continuar a investigar e a acompanhar a situação nos próximos dias”.

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