Amor gostoso...
Académica-Belenenses. Estádio. Sector 7A. Chego à fila em que se encontra o meu lugar de todos os jogos do campeonato.
O cativo não funciona nos jogos que se fizerem “fora” desta competição. Ainda não percebi bem porquê. Lá pagar o bilhete, tudo bem; mas não ser para aquele lugar, tudo mal. “Penso eu de que” como diz, ou dizia, o Jorginho dos dragões, agora em novos voos concubinais.
O meu lugar, como calculava, estava ocupado. Há sempre alguéns, na verdade muitos alguéns que gostam de sentar-se naqueles espaços que outros “alugam” para poderem chegar atrasados, e que, quando se lhes diz algo quanto à pertença, atiram logo com uma verdade irrefutável: na Taça não há cativos.
Sei que é assim, mas nem por isso deixo de os chatear, convidando-os a, também eles, arrendarem um lugar cativo.
Arrendar por uma época, faço-me entender!? “Invadi-los” é assenhorear-se de propriedade alheia. É crime. Que no cartão está que é cativo de época e não cativo para o campeonato.
Nos meus dois lugares – a família tem seis cativos naquela fila – estava um casal na casa dos cinquenta, para mais mais, que não para menos. Aproximei-me. Rindo, disse:
- A senhora tem um nome engraçado...
Eu? Sabe o meu nome?
- Está escrito nas costas da cadeira...
Chegou-se um pouco à frente, e o marido leu. Ri-me. Um pouco perplexo, o marido também leu o nome nas costas do assento que ocupava.
Atrapalhados, pediram desculpa e levantaram-se. Pedi-lhes que se sentassem, e expliquei-lhes porque era que aquelas, e outras, cadeiras tinham os nomes prantados.
Sentei-me num dos lugares seguintes. E conversámos.
Conversa de chacha, de quem não se conhece e fala de tudo e de nada. Falámos da Académica, porque eles eram, com toda a certeza, da Académica: os cachecóis e outros símbolos da Briosa que exibiam, orgulhosamente, atestavam-no à saciedade.
Expressei medos e esperanças, as minhas desconfianças relativamente à direcção e à equipa técnica; esperanças no lote de atletas, capaz de altos voos.
O jogo correu de feição. Vibrámos efusivamente. Dois a zero: bom resultado e exibição esperançosa. Talvez eu esteja enganado quanto a Costinha, disse-lhes, ainda que no íntimo continuasse a duvidar. Até à próxima, disse-lhes. Sorridente, respondeu-me o marido:
- Viemos de Paris, propositadamente para ver a Académica. Vamos embora na próxima terça. Felizes.
Fiquei sem palavras. Um aperto de mão selou um “até sempre” sentido; ainda que mudo, transmitido num olhar brilhante de esperanças.
Até sempre! Até sempre, caros apoiantes da Briosa. Ou melhor, até quando Deus quiser; e este quiser seja, o mais tardar, no Jamor, na final da Taça de Portugal.
ACADÉMICA, SEMPRE!
