Bom resultado


BOM RESULTADO

Contrariando em parte as minhas previsões, a Académica acabou por vencer o Famalicão por três bolas a zero.
Quem espreitar apenas o resultado será tentado, possivelmente, que foi um desafio de “favas contadas”. Mas não foi. Longe disso. Até quase ao final do jogo, a Briosa andou em campo com a corda na garganta, aflitinha para segurar o um-zero da primeira parte, golo marcado por Tozé Marreco – tem de passar a chamado por Tozé, que marreco não tem nada – a aproveitar um cruzamento do grande herói do jogo, Marinho.
O resultado é, sejamos claros e imparciais, enganador. É certo que a equipa da casa, como lhe competia, entrou melhor, conseguiu duas ou três jogadas de encher olho, mas ficou-se por aí.
Se, durante a primeira parte, sobretudo até sofrer o primeiro golo, a equipa forasteira se mostrou apática, a seguir reagiu e podia ter, até, partido para o intervalo em vantagem.
A segunda parte foi diferente: os famalicenses arregaçaram as mangas, começaram a correr e a dor no osso, construíram jogadas de enredar, e a equipa da casa viu-se em palpos de aranha para não sofrer qualquer golo, o que sucedeu apenas pela escandalosa má pontaria dos atletas nortenhos numa boa meia-dúzia de situações.
Já com o desafio a caminhar para o fim, com o guarda-redes da Briosa a fazer duas defesas de se lhe tirar o chapéu, a Académica retraiu-se e passou a jogar mais em contra-ataque, e dois golos apareceram de rompante, por obra, com graça, de Marinho e golpe certeiro de Ernest; e, já no terceiro dos quatro minutos de desconto, Ernest – um futuro Marinho – correu e passou a bola para um companheiro que, na grande área, fez uma grande traquinice ao guardião adversário.
Como se vê, a vitória aconteceu ainda na primeira parte, e a goleada já nos cinco dos seis minutos finais, isto é, aos oitenta e oito e aos noventa mais três; três que, no caso, foi a conta que deus fez.
Foi justa a vitória da Académica? Claro que foi: marcou mais golos, ganhou, pronto. Não se julgue, e vou repeti-lo mais uma vez, que a Académica mostrou estar a caminho de um bom campeonato. A equipa mostrou as mesmas fragilidades. A defesa, que um crítico, na net, informou a malta de que é ao modo de Simeone (treinador do Atlético de Madrid), continua insegura, facilmente ultrapassável pelos laterais. Isto não obstante Pedro Correia ter vindo a dar-lhe maior consistência O meio campo joga de modo desgarrado, parecendo que ninguém sabe por que é que ali está; e, no entanto, Fernando Alexandre foi um gigante, ao contrário de Pedro Nuno, para mim, potencialmente o atleta mais valioso da actual Briosa, que mostrou falta de ritmo, mas que, estou certo, mostrará toda a sua valia.
No ataque esteve a grande força da Briosa; um trio de luxo, capaz de dar grandes alegrias aos adeptos, assim Costinha consiga armar a equipa a preceito.
Uma análise final: o sr. Xistra continua a não gostar muto – nem nada – da académica. Não teve erros de maior, mas em caso de dúvida decidiu sempre a favor dos forasteiros, a quem, e de que maneira, deixou, e de que maneira, dar no osso dos adversários.
Na época passada, os árbitros foram os maiores causadores da descida da académica; espero que este ano, se a equipa vier a merecê-lo, não sejam eles, os árbitros, que io impeçam.