COMUNICADO da Associação Académica de Coimbra / OAF

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Na sequência do comunicado divulgado hoje, sexta-feira, 3 de maio, pela empresa de agenciamento que representa o jogador Junior Sena, narrando uma versão pouco ou nada consentânea com os factos ocorridos e envolvendo o atleta no jogo disputado em Famalicão, e em que é tentado colocar em causa as declarações proferidas pelo Treinador Principal da Académica, João Alves, que oportunamente e em total sintonia com esta Direção da Associação Académica de Coimbra/OAF expressou a sua posição quanto ao futuro do jogador, vimos esclarecer o seguinte:

 

1. A semana de trabalho que antecedeu o jogo em Famalicão decorreu de forma absolutamente normal no que diz respeito à rotina de treinos do atleta Junior Sena. Salvo raras ocasiões ao longo da temporada, o atleta não cumpriu todas as sessões, integrando gradualmente os treinos à medida que o dia de jogo se aproxima - algo fácil de constatar uma vez que os treinos da nossa equipa profissional decorrem sempre à porta aberta;

 

2. Na quinta-feira da semana que antecedeu o jogo disputado em Famalicão, ou seja, dois dias antes do desafio, o Treinador Principal da Académica questionou directamente o atleta Junior Sena se se sentia em condições de jogar. A resposta foi clara e taxativa : “sim”. Tanto assim que, na sexta-feira, véspera do jogo, o atleta cumpriu o treino sem qualquer limitação de qualquer índole. Nesse próprio dia, após o treino, o atleta fez questão de reafirmar a sua disponibilidade à Direcção, tendo seguido com a equipa para estágio numa unidade hoteleira próxima de Famalicão. Refira-se que em nenhum momento, o atleta em causa apresentou qualquer tipo de queixa ao Treinador, ou a qualquer elemento da equipa técnica ou médica;

 

3. Na manhã de sábado, dia de jogo, e em pleno balneário do Estádio Municipal de Famalicão, já após o nosso Treinador ter divulgado aos jogadores a equipa titular em que constava Junior Sena, este pediu a palavra e comunicou, perante todo o grupo, que não se sentia em condições de jogar. Faltava então menos de uma hora para a partida se iniciar. Naturalmente, as palavras do jogador e a indisponibilidade em dar o seu contributo à equipa tiveram consequências no plano de jogo previamente preparado pelo Treinador;

 

4. Após o desafio, na segunda-feira seguinte, a Direcção da AAC/OAF convocou o atleta para uma reunião. Nessa altura, Junior Sena referiu, pela primeira vez, que teria sentido uma dor numa perna quando descia as escadas do balneário em direcção ao relvado e que não se sentira em condições físicas de dar o seu contributo à equipa. Nessa mesma conversa, o atleta mostrou-se disponível para renovar o contrato com a Académica e solicitou autorização ao Departamento de Comunicação do Clube para redigir um texto, que seria publicado nas redes sociais pessoais do jogador com o objetivo de explicar aos sócios e adeptos da AAC/OAF o que tinha ocorrido e que demonstraria publicamente a sua vontade em renovar o vínculo contratual;

 

5. Fazendo fé no que ouviu durante a reunião dessa segunda-feira, a Direcção da AAC/OAF apresentou, de seguida, junto do seu empresário, uma proposta de renovação contratual, com um aumento significativo de salário, proposta esta que já constava numa cláusula do contrato em vigor. A proposta foi então recusada pelo agente;

 

6. Nesse mesmo dia, à noite, Junior Sena pediu que o texto, que entretanto fora redigido por clube e jogador, sofresse algumas alterações, entre as quais que omitisse a manifestação pública em continuar a representar a Académica, que tinha mostrado e deixado patente poucas horas antes. Perante este pedido, a publicação, prevista para essa noite, foi cancelada;

 

7. Uma vez que no comunicado hoje divulgado pela empresa que representa o atleta, se refere que Junior Sena “tem jogado com dificuldades físicas nos últimos 3 meses sendo do conhecimento do departamento médico do clube”, vem a Direcção da AAC/OAF esclarecer que, na paragem competitiva ocorrida em Março, o Departamento Clínico da Académica solicitou ao atleta a realização de um tratamento de viscossuplementação numa clínica especializada de reputação mundial, o que foi imediatamente recusado pelo próprio. O jogador pediu, então, que esse tratamento fosse feito com alguém que ele classificou como “da sua confiança”. No momento em que a Académica pedia por escrito a devida autorização, o jogador foi convocado à última hora para a Selecção Nacional de Cabo Verde, não tendo nesse momento, nem nos seguintes, manifestado qualquer desconforto físico, muito menos impeditivo de jogar. Aliás, no regresso da selecção, o jogador foi, como é público, titular no desafio em Arouca;

 

8. A Direcção da Académica fez questão de, ao longo deste processo, preservar a estabilidade do grupo de trabalho e resolver a questão internamente. Porém, perante os factos hoje conhecidos e as imputações dirigidas ao Treinador João Alves e a esta Direcção, não nos resta outra opção senão informar os sócios e adeptos da AAC/OAF que consideramos que o mencionado atleta não tem condições para continuar ao serviço da AAC/OAF, pelo que foram já encetados contactos no sentido de terminar imediatamente o vínculo contratual. Com efeito, considerando a dissonância entre a palavra do jogador e os seus actos, no que concerne à renovação, acreditamos que também não é seu desejo continuar a vestir a camisola da Académica.

 

9. Naturalmente que acreditamos na boa fé de todos os nossos jogadores e que para todos é um orgulho vestir esta camisola e honrar o nosso nome e o histórico símbolo que usam ao peito. Estranhamos, por isso, a posição do jogador ao afirmar querer renovar e depois recusar uma proposta melhor do que a aquela que consta no seu contrato. Somos a Académica e sempre estaremos no Futebol como pessoas de bem e palavra, acreditando nele e nos seus intervenientes - é essa a nossa génese. Assim, apesar das situações aqui relatadas e até prova em contrário, insistimos em acreditar que o atleta Junior Sena ainda não se comprometeu com nenhum clube para a próxima época desportiva, ficando contudo atentos quanto ao seu futuro, seja ele, ou não, à beira do Mar.

 

10. Concluindo: os princípios e os valores que sempre regeram esta instituição são para nós inquestionáveis. Mais do que exibições ou golos, o que privilegiamos é a conduta e a palavra de quem tem a oportunidade de envergar a nossa camisola - isso é o que de facto conta para os academistas. Não nos podemos rever em atitudes que não são consentâneas com o nosso espírito e que põem em causa a nossa longa História. #AAC