Pavilhão Jorge Anjinho “nas mãos” do patrão do Presidente da Académica

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| INVESTIGAÇÃO NDC |

Na investigação ao arrendamento do pavilhão Jorge Anjinho feito pela Académica à Direcção Geral, cujos contornos as partes (AAC e AAC/OAF) ainda mantêm secretos, Notícias de Coimbra apurou que o Pavilhão Jorge Anjinho já foi dado por Pedro Roxo de hipoteca, garantindo um empréstimo de muito curto prazo.

O registo da “hipoteca voluntária” foi efectuado no dia 25 de Setembro de 2017, pelas 17:49, na Conservatória do Registo Predial do Seixal!

O empréstimo foi no montante de seiscentos mil euros, mas, com juros, poderá chegar quase ao milhão de euros, mais concretamente € 918.000,00 ! São 8% de juros ao ano, mais despesas, mais 10% em caso de atraso no pagamento.

O “benemérito” é Eduardo Ferreira Lopes nada mais nada menos que o Patrão de Pedro Roxo, o Presidente da Académica.

Eduardo Ferreira Lopes é acionista da Sociedade de Construções Júlio Lopes S.A., empresa com quem Pedro Roxo tem vínculo laboral.

O grupo Júlio Lopes tem vastos interesses imobiliários em Coimbra, sendo promotor do Voimarães Residence, junto ao CHUC.

Contactada por NDC, a administração do conglomerado empresarial com origens em Pombal entendeu declarar que “não existe qualquer tipo de relação comercial ou outra entre o Grupo Júlio Lopes, SGPS, S.A., ou qualquer empresa pertencente ao Grupo, e a Associação Académica de Coimbra, OAF”, tendo optado por omitir o acordo entre o seu Presidente do Conselho de Administração e a o presidente da Briosa.

Mas confirma que o “Presidente da Associação Académica de Coimbra, OAF é colaborador deste Grupo desde 2006, tendo exercido diversos cargos na organização, seja como técnico, seja em cargos de chefia na área comercial. Desde que assumiu funções na Associação Académica de Coimbra, a sua situação profissional foi revista, mas o Eng. Pedro Roxo mantém-se nos quadros do Grupo”.

Questionada por diversas vezes, a Associação de Académica de Coimbra – Organismo Autónomo de Futebol não esclareceu os contornos deste negócio entre patrão e empregado.

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Pedro Roxo

O negócio foi feito em Setembro de 2017, já no decorrer da presente época, mas tem sido mantido secreto (e foram já três as Assembleias Gerais na Presidência de Pedro Roxo).

Caso a Académica não suba de divisão dificilmente poderá cumprir com o pagamento e assim Eduardo Lopes pode executar a hipoteca e ficar com o pavilhão que tem um Valor Patrimonial Tributário de quase cinco milhões de euros!

Ao que parece no arrendamento com a DG da AAC este facto não terá sido bem ponderado e caso a OAF não pague o empréstimo, o pavilhão pode ir mesmo “parar às mãos” do empresário da construção civil!

Se assim for, a DG pode ficar sem o espaço e o dinheiro e as seções desportivas podem nunca usufruir do pavilhão, que beneficiará de obras pagas pela Câmara Municipal de Coimbra.


Carlos Cidade, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Coimbra

NDC sabe mesmo que o inusitado negócio entre as duas (ou três) entidades é “apadrinhado” e impulsionado pela autarquia local, que se responsabiliza pelo pagamento das obras de requalificação do espaço desportivo e comercial.

Carlos Cidade, Vereador com o pelouro do Desporto e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, já disse a Notícias de Coimbra que tem conhecimento de um principio de acordo entre o “OAF e a Direcção Geral” para a AAC arrendar o Pavilhão Jorge Anjinho, que pertence à AAC/OAF.

Do ponto de vista da Câmara e do meu ponto de vista pessoal, o Pavilhão Jorge Anjinho precisa de ser reabilitado e precisa de ser colocado ao serviço do desporto em Coimbra, afirmou Cidade

Sabendo que o Pavilhão precisa de obras, será proposto à Câmara um Regulamento Municipal para reabilitação de infraestruturas desportivas, em que, naturalmente, candidatando-se a AAC/OAF ou a AAC ao abrigo desse regulamento terá a verba destinada para essa reabilitação.

Questionado por NDC sobre o valor máximo do apoio financeiro, Carlos Cidade reponde que depende dos projectos que forem apresentados por AAC ou AAC/OAF.

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Pedro Roxo – Presidente da AAC/OAF e gerente da AAC/OAF, SDUQ

Apesar de a Direcção Geral ter levado o assunto à sua Assembleia Magna, na OAF nem o empréstimo com juros nem a hipoteca a favor do patrão do Presidente ou até o arrendamento de longo prazo, foram explicados aos sócios.

A última hipoteca sobre o pavilhão levada aos sócios em Assembleia Geral foi feita por José Eduardo Simões, para garantir o pagamento de dívidas ao Estado.


Alexandre Amado – Presidente da Direção Geral da AAC

Notícias de Coimbra continua a tentar apurar melhor os contornos dos negócios secretos em torno do Pavilhão e sobretudo saber como vai a Académica pagar ao construtor se não subir de divisão.

Desejamos saber qual o valor da renda do pavilhão e por quanto tempo foi feito o negócio de arrendamento, mas os líderes da AAC e da AAC/OAF optam por esconder os números, não se sabendo como é que casa da Padre António Vieira, atolada em dividas, vai buscar o dinheiro.

Da Direção Geral aguardamos uma posição, que nos informe quanto ao facto de terem adiantado rendas e se sabem que podem ficar sem o pavilhão. Falta ainda saber o que dizem as seções desportivas sobre este negócio.

E por falar em patrão, na OAF, tem-se também falado muito de um empresário de futebol de nome Nuno Patrão, ligado à falência Beira Mar, mas que JES não deixou entrar na Académica.

O empresário  é amigo e conselheiro de Pedro Roxo e vem intermediando vários negócios com a Académica, faltando apurar em que moldes actua.

É que num clube que dizem estar falido, são 29 os jogadores profissionais que constam da página oficial da Académica a que acrescem 3 equipas técnicas ainda esta época.

Além destes jogadores, existem ainda os jogadores do Organismo Autónomo de Futebol que estão emprestados à Seção de Futebol que terá passado a ser clube satélite da AAC/OAF. A secção também está cheia de dívidas e atravessa problemas.

A Académica perdeu este fim de semana na Madeira contra o Nacional do seu ex-treinador Costinha e está em 6º lugar na tabela classificativa a 8 pontos do primeiro.

Notícias de Coimbra continua disponível para ouvir as explicações que Pedro Roxo e Alexandre Amado entendam dar em nome da transparência das duas instituições de utilidade pública.

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Notícia publicada por Notícias de Coimbra
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