SEM QUALIDADE PARA SUBIR

 

Os jornais desportivos, com relevância para um deles, dizem que a Académica não mostrou créditos para ser candidata a subir de divisão.

Das duas uma: ou deixou-se adormecer por se pensar acima dos outros e que a conquista do lugar cimeiro da Liga em que milita já estava no papo; ou não existe interesse, de quem sabe, em regressar à I Liga, porque não abundam as massas.

O deslumbramento, apoiado por grupos que se dizem muito amantes e singulares adeptos da Briosa, é um terrível erro e pecado.

Não se pode embandeirar em arco, deitar foguetes antes da festa e afirmar sermos os melhores, antes de se cumprir com todo o calendário, porque é um anseio que, e geralmente, tem sabor ácido...

E cumprir é dar o melhor. E cumprir é esfarrapar-se. E cumprir é esfolar o coiro. E cumprir é pingar de suor, E cumprir é comer a relva. E cumprir é colar a camisola. E cumprir é marcar golos e não sofrer. E cumprir é saber jogar, trocando a bola, exibindo qualidades, manifestando tácticas, cobrindo as áreas, defendendo o último reduto, aproveitar as oportunidades, ir ao confronto sem sarrafar, ver o ângulo de jogo, apertar a malha, centrar, progredir para marcar e ter a noção da valia do adversário.

Não tenho, sinceramente o digo, visto a Académica jogar.

Falo com este e com aquele - especialista de futebol - e todos me dizem que a Briosa se exibiu com garra e garbo, durante quase toda a época.

Mas dizem-me, também, que lhe falta espírito, alma, força anímica, sentimento de grupo e alguma técnica de e para trocar a bola.

O treinador, ora despedido, como sempre acontece, é o bode expiatório da questão. É evidente que lhe cabe traçar os planos e, aquando dos treinos, definir estratégias e formas de atacar, de defender e de saber dar toques para se avançar e marcar golos, a essência do futebol para se vencer.

A Académica, antes de começar uma época, tem de incutir no team/equipa - já o escrevi (até me trataram mal por isso, os tais amantes da colectividade) - o espírito que tem vindo a abandonar tal agremiação.

É preciso entender a carga histórica e a mística academista para se conseguir dar, em todos os espaços dos campos, a tenacidade e a força que deve emergir desse facto.

Aos jovens amantes da Académica é preciso ensinar que o emblema, o caminho de muitas décadas, pós as vicissitudes postas depois da Revolução, a que acrescem todos os factos que lhe desenharam o rumo, até agora, não podem ser apartados do espírito do emblema da Briosa.

Não basta as claques fazerem barulho nas bancadas.

É preciso viver, sentir e fazer manifestar no seio da equipa, desde o Presidente, passando pelo treinador, até aos jogadores e acabando em toda a formação técnica, a áurea que recai sobre a Académica.

E esse espírito não pode esvoaçar, apenas e só, nos contrafortes da Equipa e da sua Massa Associativa, tem de alastrar - contaminando no bom sentido - à Cidade e à Região.

Um exemplo: o fulgor e a força da Cidade e de toda a Zona de Guimarães. Todos vivem o seu "vitória"... Por vezes, até inflamados demais para o que deve ser a alegria, a educação e o civismo no futebol.

Reflectir é preciso. Mas estou a torcer e alegrar-me-ia ver a minha Briosa na competição maior do nosso desporto rei.

Que a luz da Páscoa ilumine os últimos passos do "calvário" que falta cumprir, ainda...

António Barreiros

1/4 às 9:53 •

Nota: Este texto foi escrito antes do jogo Nacional-Académica