Editorial 03-09-2016
EDITORIAL de 03-09-2016
Há anos – não sei se hoje ainda pensa o mesmo – dizia-me um juiz amigo que aplicar a lei é fácil; fazer justiça é que é complicado.
Com frequência desusada, agentes da PSP e da GNR, à paisana e não só, estão a ser vítimas de agressões quase quotidianas.
Tinha de acontecer: é o acontecimento lógico depois de um agente da GNR, no cumprimento do dever, ter sido condenado a viver na miséria por ter matado um jovem larápio escondido na bagageira de um carro em fuga às autoridades. Igual sentença, por parte de D. Constança, deverá ter o agente da PSP que atirou e matou também um jovem larápio que, com o resto da quadrilha, abalroou, cheio de boas intenções, um carro-patrulha da corporação a que os agentes pertenciam.
Setembro, o mês que passa sempre rapidamente, aparece já cheio de boas intenções. Para começar, as viagens pagas pela Galp a membros do Governo, o complexo tema da Caixa Geral de Depósitos, os estágios profissionais e a precariedade, e os incêndios são temas que deverão marcar o regresso dos deputados ao parlamento a partir da próxima semana.
Com o partido falido e o país em vias disso, Costa, a pedido do seu companheiro ideológico Aléxis Tsipras, vai à Grécia palestrar sobre terrorismo e antiterrorismo. Paulo Rangel contesta-lhe as opiniões que vai papaguear; Santana Lopes defende-as. Nada de admirar: Rangel está com o PSD; Santana Lopes com ele próprio. Cheira-lhe a Lisboa, e, para se sentar na presidência da edilidade, começa a delinear uma campanha à Marcelo.
Por fim, o insólito: o pai dos jovens iraquianos, que amalgamaram um jovem português, quer resolver o assunto fora dos tribunais. Parece que toda gente está de acordo, menos num ponto, o valor da indemnização, que tem de ser bem maior que o, para já, apresentado.
Neste [ainda] país, o dinheiro corrompe e compra tudo. Vale a pena ter-se Justiça? Penso que não: é preferível ter “justiceiros”.
ZEQUE
