Editorial 03-12-2016
Nos tempos que correm, mesmo no próprio dia, é difícil escolher que tema ou temas se devem privilegiar num tratamento editorial.
O Ponney é um jornal diferente que prima, ou quer primar, pelo tratamento sarcástico dos assuntos ou, por vezes, de modo um tanto ou quanto anarca.
Marcelo, o presidente afético, convidou os reis de Espanha para visitarem o país que já foi deles, quer dizer, dos seus antepassados, incluindo um IV de que o VI de agora também se orgulha de usar Filipe.
Abstraindo a barracada da assembleia, em que um certo partido – não é esse é o outro! – não curvou a cerviz por não aceitar transmissões sanguíneas nem dinásticas, embora aceite que o rei Fidel tenha transmitido o poder ao irmão Castro, que, por sua vez, parece inclinado em abdicar a favor do sobrinho. Critérios…
Não podendo deixar de ser, o rei e a rainha visitaram Lisboa e Porto, e, no entrementes, Guimarães.
Não se percebe a escolha, salvo se, para relembrar ao monarca real – Marcelo é-o de outro modo – que ali viveu uma tal Teresa que um filho ingrato correu do poder, para fazer guerra os de Leão e Castela e fundar um país que teve por primeira capital Coimbra – que, oficialmente ainda o é! – ou seja, não é Guimarães o berço da nacionalidade portuguesa, mas sim a cidade que hoje também é dos doutores e, igualmente, mantém o estatuto dos amores.
Ao afastar Coimbra do roteiro das visitas, Marcelo mostrou apenas aquela pontinha de inveja que, como académico, nutre em relação à Lusa Atenas. E não nos venha com idiotices de que Coimbra não tem instalações em que um rei possa ser servido: o Palácio de S. Marcos tem mais história e condições que Lisboa, o Porto ou Guimarães…
A geringonça, sob a batita de Marcelo, continua a funcionar. Mais arame menos arame, sob os sorrisos - hipnóticos, filhodapútícos ou lá como os queiram caracterizar – de mestre Costa, que começa a não gostar muito que os seus ministros lhe prefiram Marcelo na transmissão de actos e intenções.
A CGD, depois das muitas barracadas, tem novas administrações. Importante ter um CEO e um Chairman. Não sei o que é, mas, agora acredito que vá em frente: não por Rui Vilar – que grande tacho! – mas porque Paulo Macedo, goste-se ou não dele, já deu provas cabais de que, aquilo em que se mete, é para levar até ao fim. E com êxito pleno.
ZEQUE
