Editorial 04-03-2017
Triste sina!
Foi prometido desassorear o Mondego e pôr o Metro nos carris. Foi, é verdade, foi. Mas quem acredita na gente que (des)governa o país?
Ao que se supõe, a solução, não a que se deseja, mas uma agora inventada, vai ser em breve posta em andamento: é só deixar a areia subir mais uns centimetrozitos – e é fácil encontrá-la na cabeça dos políticos – e o leito do rio vira estrada na qual se porão os carris para a circulação de geringonças dresinadas ou dresinas geringonçadas, gáudio para os turistas, arremedo para os passageiros que foram habituais.
Li, sem surpresa porque já o tinha ouvido, que entre as dez personalidades que vão formar o Conselho Geral da Universidade de Coimbra, se encontra Pilar del Rio. Nem sei quem nem o que a recomenda. Forte cunha tem de ser. Enfim, os tempos, de vez em quando, também abanam a vetusta Instituição. No caso, mão acredito que seja no bom sentido.
Do Conselho de Repúblicas: nem sequer foi capaz de assumir o que provocou: estragos patrimoniais no Paço das Escolas. Cada vez mais, e já o escrevi antes, questiono-me se, a não arrepiarem caminho e regressarem aos ditames que levaram à sua fundação, terão razão de existir. Fazer o mal e lavar a água do capote não consta do cardápio das pessoas decentes.
Voaram dez mil milhões de euros da banca portuguesa para contas num outro lado do mundo. Fala-se, fala-se: condena-se, condena-se; mas no fundo, no fundo, ninguém se importa: há que defender o nome dos amigalhaços. Tal como na CGD, em se fala da capitalização, mas ninguém refere o nome dos devedores dos milhões irrecuperáveis, nem em que condições e com que garantias foram concedidos; mais, o que é muito importante, quem aprovou as operações. O mesmo em relação ao BCP e ao BES, que em relação ao BPN e ao BANIF já nada se pode fazer, pois foram oferecidos, com dote, aos espanhóis e angolanos: os vigaristas, que enriqueceram à custa das instituições, delapidando-as nos seus activos continuam a ser protegidos.
Triste sina a dos portugueses de bem!
ZEQUE
