Editorial 08-04-2017
São tantas as coisas, fantochadas ou não, que nem sei por onde começar nem qual ou quais escolher. Apetece-me Coimbra, hoje quinta cidade do país, ultrapassada por Cascais (uma vila) e Braga.
Coimbra, a apetecida e odiada, continua a ser vítima da ganância de Lisboa e Porto. Depois do roubo da Cruz de D. Sancho I, agora presente no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, de que é director, ou curador, um conceituado Professor da Universidade de Coimbra, mais uma obra foi surripiada ao Mosteiro de Santa Cruz: as 26 placas de esmalte, do século XVI, com cenas da Paixão de Cristo, continuam a assentar praça no Museu Soares dos Reis, no Porto, ainda que, por uns tempos, tenham obtido licença para se apresentarem no Museu Machado de Castro em que, verdadeira e futuramente, deviam permanecer.
Acresce ainda a colecção de manuscritos, actualmente muito amputada, e outras obras de muito interesse histórico e cultural que Alexandre Herculano desviou também de Santa Cruz para as colocar na Biblioteca Municipal do Porto: a época do transporte, com chuva e frio, levou os carreteiros/ carroceiros a fazerem fogueiras com muitos dos documentos; e outros foram deteriorados pela chuva; relíquias que se perderam devido à ambição de um historiador que também foi, e bom, escritor.
Ainda em Coimbra, a vereadora da Cultura exulta com a receita de seiscentos e trinta e oito mil euros gerados durante um ano pelo Convento de São Francisco. Também me congratulo, mas questiono a despesa, de que se não ouviu falar, no mesmo lapso de tempo.
Lisboa nas bocas do mundo. Agora e sempre; ou sempre e agora. A Sócrates imputam-se-lhe mais crimes de corrupção, fazendo dele e de Ricardo Salgado uma dupla imbatível: Marcelo e Costa ver-se-ão em dificuldades para darem uma mãozinha aos amigos. O Novo Banco, ora quase vendido, além dos números já avançados, é onerado ainda com mais quase dez milhões de euros – uma ninharia – com gastos feitos pelo Fundo de Resolução. Apesar de Centeno jurar que o “povo” não vai pagar nem um cêntimo pelo custo operação, os acontecimentos desdizem-no. E logo a ele que se gaba de ter sido “sondado” para presidente do Eurogrupo. Sonhos…
A vida é dura, mas só para alguns. Em Lisboa os ganhos dos “figurantes# são aos milhões.
Putin desafiou Trump; Trump respondeu. Que se entretenham lá pela Síria e não venham com desavenças cá para a Europa, que é sempre ela que paga as favas; se não ter-se-á uma pútega no meio da trampa; e cogumelo faz-me lembrar a bomba atómica.
Os garotos só atiram pedras às árvores grandes: há garotos que, por mais que cresçam, nunca deixam de ser garotos. E cobardes.
PAGA POVO.
ZEQUE
