Editorial 17-09-2016

 

 

Editorial de 17-09-2016 

 

Já lá vão quarenta e dois anos, e lembro-me como se fosse hoje: a morte pela ingratidão e a ingratidão depois da morte, tema das conversas que tive com o dr. José Pimenta, pessoa muito próxima do Homem que foi Bissaya Barreto.  

Lembro o dia dezasseis de Setembro de 1974, o caminho de curvas e recurvas para Castanheira de Pera, e os foguetes de regozijo que um qualquer fez estralejar numa encosta fronteira ao cemitério. Lembro alguns dos amigos que lá estiveram sem obrigação de estar, salvo pelo reconhecimento da hombridade e natureza de carácter do defunto; e lembro o nome de alguns que lá deveriam estar, por reconhecimento também  mas por gratidão ao que Bissaya Barreto por eles fizera, e não estiveram, por medo ou cobardia.

Apesar de nunca ter estado pessoalmente com ele, admirava-o pela obra social que em Coimbra e em algumas vilas e cidades da região centro ele promovera. A expensas suas, vinque-se

Natural de Castanheira de Pera, cedo viera para Coimbra. Aqui estudou, cresceu e fez Homem, cidadão de fina água, compreensivo das necessidades alheias, amigo sobretudo das crianças.

Médico de Salazar, mas não salazarista, era odiado pelos incompetentes, que lhe assacavam as culpas por tudo o que de mal acontecia na cidade.

Não vale a pena discutir a bondade ou maldade da Pessoa, que, repito, dotado de capacidade profissional ímpar – Professor Universitário e cirurgião – foi um verdadeiro Humanista, que promoveu e protegeu, pessoal e profissionalmente, criaturas que depois o renegaram, uma Pessoa que deixou uma obra social ímpar na zona centro do país, com incidência especial nesta Coimbra que ele tanto amava, uma riqueza inestimável.

ZEQUE