Editorial 06/03/2026

06 03 2026

“NADA HÁ DE NOVO DEBAIXO DO SOL”

Esta é uma expressão usada, sobretudo, pelas pessoas mais velhas. Aquelas que ainda se lembram do que nos aconselhava a Bíblia. Muito mais do que as interpretações das Igrejas a ideia original que está no livro Eclesiastes 1:9-10, diz exatamente: «O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós». Pois que esta ideia deve ser lembrada nesta época de deslumbramento dos avanços da tecnologia com a “Inteligência” Artificial (IA).

Imagino que haja muitas pessoas a pensarem que não é bem assim!

Hoje há vários tipos de IA e não se pode comparar com o passado. A verdade é que as bibliotecas recolhiam os pensamentos de muitos autores. Cada um pensando de forma diferente, conforme as suas experiências e a sua maior ou menor habilidade de prender o leitor, mas levando quem lia a poder interpretar conforme a sua personalidade. O meu tempo de vida leva-me a lembrar que também a banda desenhada foi uma das grandes suspeitas (às vezes condenada) por desviar a juventude e até de a levar ao suicídio. Afirmavam os inquisidores da altura que a figura do “Super-Homem” levava os jovens a quererem voar pela janela. Se a janela estivesse no rés-do-chão a queda só esmurrava os joelhos e pouco mais. Mas se a janela estivesse em andares acima, aí a coisa era mais complicada para o candidato a super-herói.

Porém outro livro era muito mais perigoso, falando do Super-Homem, mas como não estava na estante da banda desenhada (na altura o top da moda), e se encontrava na estante acima de suspeita da Filosofia, não pertencia aos “livros suspeitos”. O "Super-Homem" (Übermensch) de Nietzsche, apresentado em «Assim Falou Zaratustra», é um conceito filosófico que representa a superação do homem atual e da moral de rebanho. Esse muito mais perigoso do que os livros dos quadradinhos. Nietzsche argumentava com uma dedução lógica e pouca emotividade, o fim da moral e o enaltecimento de que cada um pode fazer tudo sem barreiras.

E voltamos à ideia que não “há nada de novo debaixo do sol”, pois hoje nós temos a IA sem emotividade, sem moral nem ética, pronta a ser um espelho de feira para exagerar a forma do que reflete.

Foi esta a ideia que nos balizou a edição desta semana, iniciando com o artigo «CUIDADO COM A JuLIA». Quem é essa “JuLIA”? Pois, tem que se ler o artigo, onde a Universidade de Coimbra está num fantástico projeto de IA.

O segundo artigo tem como título «ENTRE NEGLIGÊNCIA E IA» onde se aborda os critérios de atenção na gestão do Hospital de Coimbra. É necessário questionar sempre com a ideia de melhorar a partir dos erros.

Questionar é fundamental e por isso necessitamos de descansar para voltarmos a pensar de maneira correta, ou mais correta. Mas e se um “cérebro” não dormir? O artigo «O “CÉREBRO” QUE NUNCA DORME» entra um pouco na cabeça de um “cérebro” que na realidade é fabricado por muita gente que vive em “bolhas” e o que daí resulta!

Tal como os livros que nos dão muitas ideias, também as novas tecnologias nos podem levar aos «CYBERCRIMES, SEGREDOS E JUSTIÇA». Num trinómio que necessita de reflexão por parte de todas as pessoas.

Também não é estranho que os muitos dados e as muitas formas de seduzir leitores ou utilizadores de tecnologia, os podem levar a um certo «AMOR DE SIMULAÇÃO», atenção que nada tem que ver com o livro “AMOR DE PERDIÇÃO”, de Camilo Castelo Branco (escrita em 1861) qualquer semelhança é pura coincidência.

A tira de banda desenhada da Dani faz-nos pensar sobre os nossos hábitos de saúde.

Otávio Ferreira leva-nos a uma reflexão com o artigo de opinião «UMA CARA E DUAS MOEDAS».
Mara Braga traz-nos um artigo de opinião que é uma ponte pelo Atlântico que nos pode levar ao Índico e ao Pacífico.
A nossa amiga Manuela Jones traz-nos um artigo sobre a memória com a sua opinião sob a forma de «A DECADÊNCIA DA MEMÓRIA».

Muitos outros artigos se encontram por aqui.

Bom fim de semana e Bom Dia da Mulher com boas reflexões.

José Augusto Gomes
Diretor do jornal O Ponney