Bolero do Sul
Posso estar isolado, e até creio que estou, mas desde muito novo que me habituei a pensar por mim e não a “engolir” o que ou outros dizem. É certo que, muitas vezes, também reajo mais com o coração que com a cabeça, principalmente quando se trata de injustiças mais que evidentes.
O caso Dijsselbloem paradigmático: indivíduo com um cargo bem importante na Europa – presidente do Eurogrupo – deu em metaforizar com mulheres e bebidas alcoólicas, uma mistura explosiva, e, caramba, neste país à beira-mar plantado, cheio de “virgens” pudicas, caiu o Carmo e a Trindade – ou a Carmo e o Trindade, não sei – só faltando sair o povo à rua e fazer uma daqueles de punho erguido de mate-se e esfole-se que o povo unido já está mais que arrependido.
Então na assembleia geral do grupo folclórico lusitano, em que, no presente, se cultivam grandes “valores” e defendem costumes, ultrapassando a desunião binómica geringonça/ outros, o grito foi uníssono: povo de portugaleses, estamos em guerra com aquele mariola holandês, ofensor dos nossos bons costumes, do nosso celibato e da nossa abstinência. Por isso, unamo-nos, juntemo-nos e IDE. IDE, povo, e cortai o mal pela raiz, matai o demo.
Não obstante, também, a entrada em cena do pouca avisado dom marmelo e do seu presidente do directivo, o rouba-a-rir cevada, com os rumores em decrescendo, vieram à liça, a `pôr água benta na escaramuça, Jaime Gama e – quem diria? – Vital Moreira dizer que o dito cujo holandês é um bom presidente do Eurogrupo, e que parte das indignações foi estapafúrdia
Em Espanha houve calma e bom senso; em Itália, risota; e por cá, a habitual alergia neuronal, ou, não raras vezes – o diabo tece-as - de frustração sexual.
