Borrados
Somos um povo que. por tudo e por nada, se arma em fanfarrão. Aqui há tempos assistimos a um arremedo de pedido de satisfações feito por um secretário de estado ao holandês com um nome esquisito de ler e escrever. Ouviram-se umas palavras entarameladas, uma tradução “preparada” para informar o que estava a ser dito, e que não estava; e viu-se a “pose” apalermada do primo do Mourinho treinador da bola na terra do Brexit, todo tremeliques, e o ar superior, desprezativo, do que devia ser interlocutor e não o foi. Supremo desprezo que, uns tempos mais tarde, Rangel, o eurodeputado, tentou minorar, dizendo cara a cara, sem temores nem tremores, o que o holandês devia ter ouvido do tal Mourinho, o secretário de estado, e não ouviu.
Há dias, depois de tanto palavreado de contestação acalorada, a todos os níveis, principalmente dos mais altos, Portugal aprovou a construção do armazém da central nuclear de Almaraz, um sitiozinho ali bem perto da fronteira que o Tejo atravessa para levar as suas águas até Lisboa, não obstante, o Grupo de trabalho liderado pela Agência Portuguesa do Ambiente, a tal que está a dar parecer negativo ao desassoreamento do Mondego, admitir ter "identificado lacunas que podem assumir relevância na consideração de potenciais impactes, incluindo em território português".
No fundo, no fundo – e no cimo -, entradas de leão, saídas de sendeiro.
