Capa da Vogue com uma princesa saudita ao volante

A 1ª edição da Vogue dedicada exclusivamente ao reino da Arábia Saudita é provocadora em todos os sentidos. Tem a princesa Hayfa bint Abdullah al-Saud na capa, ao volante de um descapotável, de salto alto e cabelo à mostra e com o título "driving force". O título não é inocente e marca o momento de viragem no único país do mundo onde as mulheres ainda não podiam conduzir. O problema é que o tema, que devia abrir a Arábia Saudita ao mundo, encerra o país numa polémica que já levou 11 ativistas à prisão.

 A polémica capa da Vogue com uma princesa saudita ao volante Junho de 2018 vai ficar para a história dos direitos das mulheres no mundo e da Arábia Saudita - o último país do globo onde as mulheres ainda não podiam conduzir.

Já se sabia que a ambiciosa reforma do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman da Arábia Saudita iria contar com a forte oposição dos ultraconservadores e dos radicais islâmicas que continuam a defender os velhos costumes e continua a impedir as mulheres de saírem sozinhas à rua, de conduzirem, de praticarem desporto, até nas escolas.

Já se antevia que este fim de ciclo não fosse pacífico e que esta abertura à modernidade podia pagar-se caro no reino da Arábia Saudita. Daí a importância de ter a princesa Hayfa bint Abdullah al-Saud na capa e uma série de mulheres que representam a força feminina no país ultraconservador do Golfo.

É o que é a 1ª Vogue inteiramente dedicada à Arábia Saudita, que mal chegou às bancas gerou uma onda de contestação e uma vaga de detenções entre ativistas dos direitos das mulheres no país.

A ala mais radical saudita e os ultraconservadores apontam o dedo a este emancipar dos direitos das mulheres, que está a abalar os "bons velhos costumes" num dos mais fechados países do Golfo.

Pelo menos 11 ativistas foram detidos nas últimas semanas na Arábia Saudita. Quatro foram, entretanto libertados segundo a Aministia Internacional mas a polémica está longe do fim no reino da Arábia Saudita.

Ainda junho não tinha começado, já com a edição especial da Vogue a marcar os escaparates no mundo inteiro e em especial no "mundo árabe", e o editor da conceituada revista internacional vê-se obrigado a explicar a capa com a princesa Hayfa bint Abdullah al-Saud e a edição especial num editorial em forma de confessionário.

A juntar à princesa, esta edição da Vogue mostra outros exemplos que rasgam com os costumes sauditas, como a ativista Manal al-Sharif ou a jogadora de futebol de futebol Saja Kamal que trabalha para formar a primeira equipe feminina do reino, que tenta formar a primeira equipa feminina do reino.

Ver uma mulher saudita na capa de uma revista é, por si só inédito, mas ter uma princesa em pose sensual, como exemplo de empreendedorismo, fora do casamento é visto como uma afronta num dos países onde a igualdade de género é mais acentuada. O tema é notícia em todo o mundo, com especial destaque no mundo árabe onde as mulheres continuam com direitos diminuídos, mas não como na Arábia Saudita.

Neste país do Golfo Pérsico há inúmeras coisas que as mulheres não podem fazer por si só e têm que ter um "guardião" - uma figura masculina que substituiu o marido, o irmão ou o pai em tarefas tão básicas como ir à rua, pedir um documento de identificação ou um passaporte, abrir uma conta bancária, fazer uma cirurgia estética sem autorizado marido e, claro não podem viajar nem ter sócios do sexo masculino, ter direito a uma herança igual a um homem (recebem metade que os irmãos) ou ficar com a custódia dos filhos após um divórcio (quando é permitido).

A princesa Hayfa bint Abdullah al-Saud é filha do falecido rei da Arábia Saudita Abdullah e mãe de três crianças. Casada desde 2005 foi dando nas vistas por querer assumir a responsabilidade na educação dos filhos, abdicando das amas e por querer ser exemplo numa sociedade especialmente fechada às mulheres. Assume-se pintora, com um espólio de mais de 200 quadros e exposições em Nova Iorque e dá a cara a este movimento de mudança na Arábia Saudita.

Estas mulheres que na Arábia Saudita andam todas “burkadas”, mal o avi-ao dscola rumo a Londres, Paris, etc., “despem” a “burka” num ápice e ficam a confundir-se com qualquer mulher ocidental, quer prá “frentexe” quer tradicional, poi sob a vestimenta árabe já levam vestidas roupas ocidentais, alguma bem “atrevidas”, até. 

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