Galiza
GALIZA
Há tempos, um deputado do PSOE abeirou-se de António Costa. Entregando-lhe uma carta, não com qualquer segredo mas sim com um pedido: que intercedesse pela adesão da Galiza à CPLP. O PSOE, disse o deputado, iria ganhar as eleições autonómicas e, sendo governo, queria muito trabalhar com Portugal". Pondo de parte o facto de o PSOE estar em vertiginosa queda em Espanha, esse desejo é já muito antigo. E é alimentado quer em Portugal quer na Galiza, por grupos distintos.
Não se duvida que a história e a cultura, incluindo-se nesta a língua, nos aproximam da Galiza; e que isso tem, ao longo dos tempos, criado laços imorredoiros. Mas a CPLP, tal como o nome indica, é uma comunidade de países e a Galiza é uma comunidade autónoma espanhola.
A questão da língua é discussão antiga. Embora fonética e graficamente seja muito próxima do português de Portugal (e nela nos irmanamos), a língua galega orgulha-se, com razão, da sua identidade. Convenhamos que com razão. Convenhamos, também, que à designação de “galego”, os estudiosos da língua – e até já a população menos erudita – começam a referi-la como “português da Galiza”.
As diversas escolas, e até a Universidade, com o apoio de professores portugueses e brasileiros, estão a investir muito no ensino-aprendizagem do português, meio-caminho andado para uma reaproximação da grafia e da dicção das duas línguas.
Não é, pois, descabido o desejo do deputado do PSOE. Na verdade, se a Guiné Equatorial faz parte da CPLP, por que não o há-de fazer a Galiza?
Que entre em bem!
