Guterres e Barroso - dois políticos, dois percursos de vida
Guterres e Barroso
dois políticos, dois percursos de vida
António Guterres é secretário-geral da ONU. Cargo de importância mundial a que chegou por mérito, pelas suas qualidades pessoais, pela sua dedicação a uma causa: os refugiados.
Recordado Guterres primeiro-ministro de Portugal, cargo que deixou depois de umas eleições autárquicas, justificando a saída para evitar o “pântano”, a expressão é dele. Recordado também um aceso debate, Guterres primeiro-ministro, e Durão Barroso secretário do PSD, quando este puxou por um “Portugal está de “tanga” para criticar a situação económica, expressão que ficou e é frequentemente utilizada.
Estávamos no ano de 2002, ainda entusiasmados por uma Europa de sonhos, de riqueza para todos, era o euro moeda nascente e os negócios ainda corriam com referências ao escudo, moeda a recolher para os sepulcros do Banco de Portugal.
Já lá vão uns anos, mas o que se recorda da governação de Guterres é que Portugal nesses anos destacou-se nas políticas humanitárias, com níveis de justiça social reconhecida nos organismos internacionais, protecção das populações mais desprotegidas, níveis de escolaridade e de saúde referenciados pelo mundo. O envelhecimento das populações e a desertificação do interior já eram problemáticos.A economia começava a dar sinais do neoliberalismo seguido pela Comunidade Europeia, mas ainda nada para assustar.
Seguiram-se anos que deixam ver o que distingue políticos.
Durão Barroso no governo a partir de 2002 deixou recordações na fotografia como anfitrião, como mordomo de um acontecimento que marcou o mundo e que ainda é a razão dos grandes desastres das políticas dos últimos anos. Foi a cimeira dos Açores, onde aparece com Aznar, Tony Blair, e Bush, donde saiu a invasão e a ocupação e a guerra no Iraque, que ainda dura, a pretexto de perigos de armas que não existiam, mas com o principal fito no petróleo, que existia.
Em 2004, Durão Barroso ainda deslumbrado pela importância de ter contribuído para uma guerra, que não levou paz nem democracia, mas violência, bombas, e principalmente o nascimento do terrorismo e a causa de muitos milhares de refugiados, saltou para Bruxelas para presidir aos destinos da Europa.
Seguiram-se anos de políticas europeias criadoras de desemprego generalizado, de pobreza generalizada, principalmente pelos países do sul, Grécia, Portugal, Espanha, por crises económicas, por austeridades generalizadas, corrupção generalizada e consentida.
Uma Europa governada por políticos medíocres, rodeados de mordomias e de regalias, mas a exigir sacrifícios. Durão Barroso foi um presidente da Comissão Europeia ao serviço dos bancos. As agitações e as rebeliões expandiram-se pelo mundo com episódios de terrorismo, de guerras, de corrupção, e os negócios das armas a crescer.
É nestes anos que crescem as vagas de refugiados a fugir das guerras, da pobreza, das destruições, das perseguições.
E é nestes anos que Guterres nos aparece em imagens nos campos de refugiados em barracas sem condições de saúde, de alimentação, crianças com caras de fome, sem escola, agarradas a brinquedos pobres, por entre charcos de lama.
Chegamos a 2016.
Durão Barroso aí está escolhido como administrador de um banco mundialmente conhecido como responsável pelas crises financeiras, por negócios escuros, por corrupções. A receber 5 milhões por ano, mais prémios e muitos outras regalias, tudo a somar com o que de Bruxelas e de Portugal recebe.
E Guterres na ONU com preocupações de trazer as potências militares para políticas de paz, de respeito pelos direitos dos povos. Empenhado na solução para os refugiados, perseguidos e humilhados. Preocupado com as politicas do ambiente.
Dois políticos portugueses no mundo, com trajectos políticos e sociais muito diferentes e com vidas muito diferentes.
Votos para que secretário da ONU traga a paz ao mundo, mais justiça na distribuição das riquezas de todos, mais respeito entre os povos do mundo, mas tolerância, convivência e respeito, que as religiões não sejam motivos de conflitos, de terrorismo, de perseguições. Um bom entendimento com o papa Francisco.
Manel Miranda
