Lágrimas que a gente ri
Lágrimas que a gente ri
As lágrimas são associadas ao choro. Um erro. Há lágrimas de alegria. Chora-se a rir. Ou por tanto rir...
É pensamento geral de que no Uruguai se fala espanhol. E é verdade, oficialmente. Todavia, a nível privado, nas famílias, o português continua a ser a língua escolhida para se comunicar. Soube-o, o ano passado, num congresso sobre língua portuguesa em Washington. E ri. A língua portuguesa está muito para além de Portugal, do Brasil e das ex-províncias ultramarinas. Viva. Fecunda.
Porquê no Uruguai? A resposta está na Colonia del Sacramento, cidade à distância de pouco mais de uma hora de travessia do rio da Prata a partir de Buenos Aires, capital da Argentina.
A cidade tem origem na antiga colónia do Santíssimo Sacramento, fundada por Manuel Lobo, antigo governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, a 22 de Janeiro 1680, a mando do Império Português.
Visita quase obrigatória nos programas escolares do Uruguai e também da Argentina, o centro histórico da Colónia do Santíssimo Sacramento é reconhecido como Património Mundial pela UNESCO, e lá está estampada a arquitectura portuguesa coeva, um local onde os portugueses, tão-somente porque são portugueses, são recebidos de braços abertos pela população: é uma lágrima do que foi o Império Português. De saudade. De alegria. Pelo que fomos.
