MOÇAMBIQUE: E SE...

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 As deficientes redes de distribuição de água potável às populações e a de esgotos são, em Moçambique, um problema agudo.

Tão grave que, e em consequência da tempestade aidi, veio ao de cimo esse problema.

Tentei pesquisar dados que pudessem dar-me um panorama de um e de outro assunto, mas nada aparece.

Quando vivi, em Moçambique, entre 2009 e 2014, uma e outra rede estavam num estado miserável em Maputo, a capital.

O sistema de drenagem, na sua longa extensão, deixado pelos portugueses, apresentava-se muito entupido, porque nele vai desaguar tudo quanto a população acha que deve despejar... A rede de águas, e em muitos prédios, tinha os canos rompidos ou o sistema tinha sido desligado.

Aliás, e nas paredes exteriores de muitos prédios, o que constitui um sério problema para o estado de segurança dos mesmos, eram visíveis manchas de humidade, resultado de rupturas de água e de esgotos...

E, a estes dois factores, podemos juntar, o que é gravíssimo - já houve um colapso que matou mais de uma vintena de pessoas - um aterro de lixos com uma altura aproximada de um edifício, equivalente a uns 6 andares.

E convirá atrelar uma outra questão: a má qualidade da rede eléctrica, com todos os inconvenientes para a distribuição de água e, também, para o funcionamento de sub-estações elevatórias de esgotos.

E se, um destes dias, uma tempestade, como a que assolou as Províncias de Sofala e de Manica, desabar sobre a de Maputo e zonas circundantes, tendo por base o que acabo de descrever ?

Nestes últimos 25 anos, e se o poder político e governativo tivesse sabido gerir e administrar a "coisa pública", poder-se-iam ter realizado avanços gigantescos nos sectores da distribuição de água potável e na de drenagem de esgotos e águas pluviais.

Nas zonas afectadas pela aidi o que se verifica é que a falta de uma rede de água de qualidade, assim como um sistema de esgotos conveniente já era factor de doenças, em que a malária e a cólera estão presentes sempre. Mas, e agora, avalia-se que é por falta de uma e de outra rede, em condições, que se espalham, com maior facilidade, as doenças, o que agrava a situação e mata gente.

Ir empurrando com a barriga... está à vista, não dá certo.

Que sirva de lição e que, com urgência, se ajustem trabalhos para se dotarem as comunidades de maior dimensão, das principais estruturas que promovem a vida e a sua qualidade...

Imagem retirada da net

António Barreiros