O CAPATAZ SINDICALISTA H.O. , DEPUTADO E ADJUNTO DE MINISTRO

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A política, a partidária, em Portugal, está bem entregue e tem serventuários que, depois de tarefas cumpridas, acabam com tachos, apesar de não lhe conhecermos nada que lhes abone.

Um exemplo, entre muitos, que me chegou, é a de um tal Hugo Oliveira que, tendo sido porta-voz e membro da Comissão de Trabalhadores da Renault/Cacia, pertencente ao SITE-CN, Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energias e Actividades do Ambiente-Centro/Norte, afecto à CGTP-In/PCP, agitou, durante o ano de 2015, essa grande empresa do sector automóvel de marca francesa. Desde 2019 é – a política tem destas coisas – deputado do PS e não só.

E esse autêntico ex-capataz da central comunista, segundo rezam as crónicas da altura, ora adiantava um valor para aumento salarial, ora outro, demonstrando a pouca seriedade de negociar com a Administração da Renault/Cacia. Era preciso provocar, em 2015, nos tempos da tróika e de Passos. A agenda política do PCP e das suas correias nunca falha.

Como já o escrevi, a política do PCP é, nas empresas, ter células, as quais não só “distribuem” as ideias panfletárias do partido mas, e também, apalpam o pulso aos colegas sobre a sua satisfação laboral para, e quando o sinal surgir da CGTP, terem a noção de o apoio do “rebanho” dos trabalhadores estar garantido. Colaboradores que, e quase sempre, nem se apercebem que são peões usados nas refregas que o PCP usa e abusa para, e como lhe está intrínseco na sua ideologia, destruir o capitalismo, logo empresas da iniciativa privada que, a todo o custo, pretende nacionalizar para obter o controlo de tudo e do Estado, fazendo vingar a sua política estafada e já gasta pelo tempo…

Mas voltemos ao capataz-sindicalista-comunista Hugo Daniel Matos de Oliveira, natural de Estarreja, de 39 anos, que foi eleito deputado pelo círculo eleitoral de Aveiro, nas últimas eleições legislativas, de 2019.

Interessante é verificar que, e por Despacho de 4/03/2019, o nr 2148, foi nomeado (portanto, antes das eleições legislativas de 2019) – talvez como prémio da agitação que soube provocar ou para o calar – como Adjunto para o Gabinete do Ministro das Infraestruturas, também ele da Região de Aveiro. E mais premiado acabou: Secretário Pessoal no Gabinete do Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares (de 2015 a 2016); e Técnico Especialista (?) no Gabinete do Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares. Mas, e segundo pesquisei, apenas frequentou o Curso Superior de Administração Pública da UA (2009-2011) e, mais tarde (2019), andava no Curso de Ciências da Comunicação da Universidade Autónoma de Lisboa.

Hugo Oliveira, o tal sindicalista-comunista que fez tremer os colegas que o seguiram em sucessivas greves promovidas em 2015, na Renault/Cacia, acabou presenteado com um bom tacho – deputado e adjunto de Ministro – e transferiu-se das ideias do PCP para as dos socialistas. Isto de andar a berrar slogans e palavras de ordem contra os patrões e as empresas que representam a iniciativa privada, as que pagam acima da média e oferecem outras regalias aos trabalhadores, não se coadunava com as aspirações desse rapazinho que já nem se lembra que ser empregado fabril caleja as mãos dos que, verdadeiramente, laboram… Um sindicalista é outra loiça, em tempo e regalias.

Descobrimos que, a cada cavadela que nos damos ao trabalho de fazer, o nosso País está cheio destes xicos-espertos que nos lugares que lhes ofereceram em nada vão contribuir para a gestão da coisa pública, porque se cercaram de vícios de um sindicalista radical, despido de ética e a chafurdar numa ideologia que, aproveitando-se da democracia e da liberdade, aposta no quanto pior melhor e na destabilização social e laboral para fazer desabar o Estado de Direito. Hugo Oliveira não se fez democrata por princípios, porque a sua tarimba tem marca comunista, a que se entranha como peçonha… Os Governos têm viroses deste tipo de gente. A esquerda é como o bicho da madeira: entra, corrói e destrói. Está tudo minado, em Portugal…

António Barreiros