O Sorriso das Pétalas Amarelas – A Homenagem

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Eram um menino e uma menina que não se recordavam do pai e da mãe, porque foram bafejados por uma sorte inexplicável que os impediu de ter viajado com o pai e com a mãe em determinado voo e em determinado dia.

Eram gémeos, viviam sempre sorridentes e felizes a sentir o sentir um do outro, apesar das saudades dos pais. Certo dia foi-lhes segredado que o pai e a mãe eram passageiros de um avião que embateu num prédio alto e de resistência pressupostamente inabalável, mas os meninos não perceberam por que motivo se construíam prédios tão altos que funcionavam como obstáculos na estrada dos aviões.

Depois, com o tempo, perceberam que a verdade tinha-lhes sido omitida, não eram os prédios que tinham altura desmesurada mas os aviões é que voavam demasiado baixinho com intenções claras e inequívocas para determinado fim. E os meninos interrogaram o mundo por que motivo aqueles aviões voavam tão baixinho que até embateram onde não deviam e provocaram acidentes com muitas e muitas vítimas inocentes.

O mundo emudeceu, comprometido. E os meninos, como que por milagre, não cresceram e nunca deixaram de ser meninos e até nem pretendiam ser adultos para não entenderem alguma maldade que caracteriza alguns adultos, mas mantêm muitas dúvidas por esclarecer, porque o mundo cobarde insiste em não esclarecê-las.

Até que os meninos, resolutos, sentenciaram não mais questionar o mundo, continuando assim meninos sem exigir explicações a quem quer que fosse sobre o que quer que fosse a propósito do prematuro desaparecimento do pai e da mãe - mero acaso cidadãos exemplares do mesmo mundo onde os meninos habitam, um mundo em alguns pormenores muito pouco exemplar, que evita dar explicações convincentes a determinadas ocorrências, sempre que não lhe dá jeito…

© Luís Gil Torga
(foto retirada da internet)