O umbigo da Terra

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 Os incas eram especialistas em agricultura e Moray é um testemunho dessa perícia. Diz-se que este local, com os seus enormes e perfeitos terraços circulares, foi uma espécie de laboratório agrícola que permitiu aos incas experimentarem diferentes tipos de culturas, fazer a domesticação de plantas silvestres e criar novas culturas híbridas que eram modificadas e adaptadas para o consumo humano.

O Peru é famoso pelas suas muitas variações de batata, mais de 2.000, segundo me disseram. Quem sabe se muitas destas variações não foram criadas aqui. Esta teoria é apoiada pelo facto de a profundidade, o desenho e a orientação das depressões em relação ao vento e ao sol criarem microclimas com uma diferença de temperatura de até 15 graus centígrados entre o topo e o fundo.

Outra característica fascinante de Moray é que os terraços nunca inundam, mesmo na estação das chuvas, que é bastante forte no Peru. Pensa-se que deve haver canais subterrâneos construídos para permitir o escoamento das águas.

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De cima os terraços não parecem tão impressionantes, mas assim que descemos e olhamos para cima percebemos a sua grandiosidade. A descida não custou muito mas a subida... Moray está localizado a uma altitude de 3.500 metros, o que torna a respiração, para quem não está habituado a este tipo de altitudes, difícil. Eu tive de parar por várias vezes na subida para recuperar o fôlego.

Poucas pessoas estavam lá durante a minha visita, o que tornou a experiência - fosse pela imensidão do espaço ou pelo silêncio do local - de algum modo mais grandiosa e quase espiritual.

Aliás, Moray é considerado por alguns como uma espécie de "umbigo da Terra", um local ideal para meditar, onde corpo e mente podem harmonizar-se com a energia electromagnética da Terra. De facto, esta obra foi feita em tão perfeita harmonia com a natureza que não é muito difícil sentir paz aqui.

Artigo originalmente publicado no blogue The Travellight World