TRUMP é TRUMP(a)?
Declarações, opiniões e tweets de Donald Trump sobre o afastamento do diretor do FBI, James Comey, entrechocam de frente, de lado e por trás com as explicações oferecidas pelos membros da sua equipa. Não admira, por isso, que as investigações sobre a interferência russa nas eleições estejam no epicentro do mais recente turbilhão político que agita Washington.
Pouco mais de uma semana após Donald Trump ter juntado uma legião de republicanos nos jardins da Casa Branca, para festejar a aprovação da proposta de lei de revogação e substituição do Obamacare na Câmara dos Representantes, Washington volta a estar no centro das atenções da comunicação social norte-americana e internacional. Não, contudo, pelas razões que o Presidente dos Estados Unidos gostaria. Ao anúncio surpreendente, de terça-feira à noite, que deu conta da decisão da administração Trump de afastar o diretor do FBI James Comey – pela segunda vez na História dos EUA e vinte e quatro anos depois de Bill Clinton também o ter feito – seguiram-se dias confusos para os lados da Sala Oval, com o levantamento de suspeitas da oposição, manifestações de estupefação dentro do Partido Republicano e justificações pouco convincentes da liderança norte-americana. Quer dizer, o presidente americano tem de jogar com os critérios dos adversários e não com os seus.; tem de aguentar um chefe do FBI que lhe é, está visto, hostil, e etc., etc., etc.
Na verdade, acontece que o agora ex-diretor do FBI liderava o inquérito sobre as supostas ligações entre a equipa de campanha republicana e elementos próximos da Federação Russa e, segundo o Wall Street Journal, teria mesmo solicitado mais fundos para a investigação. O timing da demissão foi, por isso, recebido com enorme suspeição junto da oposição democrata, mas também de alguns membros do GOP, que gostariam de ver Trump pelas costas.
Ao que parece, Donald Trump é um homem intempestivo, bipolar. E por isso ninguém estranhou vê-lo responder às manifestações de desagrado, num primeiro momento, através da sua conta pessoal de Twitter. Mas os tweets do Presidente dos Estados Unidos não ajudaram a dissipar as críticas – houve mesmo quem tenha feito comparações com o Watergate, o escândalo político que culminou na renúncia de Richard Nixon, nos anos 70 – e, por isso, Trump decidiu ir à televisão clarificar a decisão de afastar o líder do FBI. Só que o resultado foi manifestamente distinto do pretendido.
Enfim, ou Trump unta os meios de comunicação social americanos ou está entregue aos bichos. Quer dizer, se ele não der uns bons “murros” na mesa…
