A caminho do BE?

 

________________________________

A caminho do BE?

O ex-primeiro-ministro José Sócrates considerou hoje "absolutamente inacreditável que a sociedade e os comentaristas" televisivos "rebolem de fúria" pela criação de um novo imposto sobre património imobiliário, pondo-se ao lado, e não acima, da deputada bloquista Mariana Mortágua

No primeiro dia da Universidade de Verão, curiosamente iniciada já no Outono, promovida – tinha de ser - pelo Departamento Federativo das Mulheres Socialistas (DFMS) da FAUL, José Sócrates foi orador num painel onde, apesar do tema ser "Política Externa e Globalização", não deixou a actualidade nacional de fora, falando, até, do novo imposto que poderá vir a incidir no património imobiliário de elevado valor, cuja polémica se intensificou após a intervenção, numa conferência do PS aqui há uns tempos, da sinistra deputada Mariana Mortágua.

"Acho absolutamente inacreditável que a sociedade e os comentaristas nas televisões rebolem de fúria [com este anúncio]. Não posso deixar de me pôr ao lado dela quando vejo tantas críticas quando é uma proposta tão modesta e até tão insignificante quanto a dizer: vamos taxar um pouco mais aqueles?", disse, numa calma desvairada.

Sócrates questionou o que é que Mariana Mortágua - "uma das vozes mais interessantes no espaço público" - "propôs de especial" dada "a berraria da direita".

"Ela nem propôs nacionalizações, nem pôs em causa nenhum direito constitucional", defendeu, assumindo a "alguma estupefação" com toda esta polémica.

Na opinião de Sócrates, "fazer um ajustamento na política fiscal taxando mais o património" é, "apesar de tudo, razoável" e possível de discutir, mas defendeu que "o que o país precisa é de investimento público, não de mexer aqui ou ali nos impostos".

"O que me espanta é que veja pela primeira vez esta situação absolutamente curiosa de ver um Governo socialista atacado pela direita com a direita a dizer deviam fazer mais investimento público", acusou.

Quem parece não ter gostado nada destas diatribes foi o seu testa de ferro Costa, ministro da propaganda do país, primeiro-ministro em nome.