A CULPA MORRE SOLTEIRA
*E não interessa identificar namorados...*
*Muitos...muiiiitos namorados, espalhados ao longo do tempo pelo estado do
estado a que chegou o estado!*
*Este estado que é nosso, também nós todos, culpados!*
*O estado, que também pagaram, primeiro com os bolsos, os queimados, cujos
impostos desperdiçados as vidas lhes roubaram!*
*Haverá crueldade mais cruel?*
*Ao longo de anos de governos e de grandes negócios, envolvendo tantas
tutelas, em nome do interesse público e de cautelas.*
*Quantos múltiplos do milhão da solução de Mação foram retirados em vão ao
erário público?*
*Haverá investigações e haverá prescrições. Incerta será a conclusão.*
*Mas não haverá perdão! Isso NÃO!*
*Sande Brito Jr*
*Ninguém diz nada sobre o que aconteceu na "estrada SEM SORTE"*
Respostas a Costa deixam espaços em branco, sobretudo sobre o que se passou
na EN 236-1. E leituras divergentes entre os organismos. E mais dúvidas por
explicar. Culpas, só do SIRESP. E do tempo (mas o IPMA diz que avisou).
[image: David Dinis]*David Dinis* <https://www.publico.pt/autor/david-dinis>
23 de Junho de 2017, 22:45
*[image: Adriano Miranda]*
Foto
Adriano Miranda
Passou uma semana sobre a tragédia, vieram três respostas oficiais ao
primeiro-ministro e continua tudo em branco: ninguém diz uma só palavra que
permita explicar o que aconteceu no sábado passado na EN 236-1, a estrada
onde morreram 47 das 64 vítimas mortais do incêndio de Pedrógão Grande.
Foi na segunda-feira à noite que António Costa pediu respostas “urgentes”
às dúvidas que mais inquietavam o Governo. E foi nesta sexta-feira que
chegou a última resposta, da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC).
Da leitura cruzada desse comunicado e dos outros dois (Instituto Português
do Mar e da Atmosfera e Guarda Nacional Republicana) conseguimos chegar a
uma primeira cronologia “autorizada” da tragédia. Mas ninguém diz a que
horas terão morrido aquelas famílias, como elas ficaram encurraladas ou a
que horas (e por quem) foram encontradas. Tão pouco algum assumir de
responsabilidades, que vão passando de um lado para o outro.
O primeiro “culpado” assumido por todos é o SIRESP, o sistema de
comunicações que já toda a gente sabia ter falhado, mas que ninguém
adivinhava até quando: foram quatro dias cheios de problemas (até
terça-feira, quando o fogo levou à evacuação de dezenas de aldeias em
Góis), diz o presidente da Protecção Civil. Durante todo esse tempo as
falhas foram consistentes, acrescenta Joaquim Leitão, e levaram as forças
no terreno a procurar formas alternativas de comunicação.
As respostas da ANPC e as muitas falhas aí apontadas levaram nesta
sexta-feira à noite o primeiro-ministro a pedir à ministra da Administração
Interna “o cabal esclarecimento do ocorrido" junto da SIRESP, SA. O pedido
consta de um curto despacho assinado por António Costa e que é igualmente
dirigido ao Ministério da Justiça, "por poder ser elemento relevante para o
inquérito [judicial] em curso” na Procuradoria-Geral da República.
O relato da Protecção Civil pode resumir-se assim: na noite da tragédia
houve uma primeira falha do SIRESP às 19h45, cerca de 55 minutos depois de
ter sido encerrado o IC8, e esse sistema perde três postos de comunicação
entre as 21h12 e 21h16 — mas explica que quatro minutos depois já se usavam
de novo “comunicações de redundância”. É aqui que as instituições
envolvidas no combate ao incêndio divergem: se a ANPC diz que essas
“situações foram supridas com recurso a redes” alternativas, a GNR alega
que houve “falhas na comunicação (todas)”. Eis a versão do
comandante-geral: “Passado algum tempo” do fecho do IC8 (18h50) a GNR teve
que recuar, mas mantendo aberta a “estrada da morte” (sem “qualquer
indicador ou informação” de perigo). E garante que se manteve “em toda a
área”, “apesar das dificuldades de comunicação (todas)”. A palavra “todas”
é a que faz a diferença — porque é onde a GNR anota que as alternativas ao
SIRESP não estavam também em funcionamento normal.
Da leitura dos três comunicados sobram mais algumas dúvidas sobre as horas
mais mortíferas do incêndio: não só ninguém diz quais foram, como ninguém
diz quando se percebeu o perigo ou quando (e que autoridades) entraram pela
estrada — em combate ou em socorro.
Segundo consenso: o tempo
Mas, para além do SIRESP, que todos admitem ter falhado, há um outro
consenso sobre o que se passou no terreno: as condições meteorológicas
excepcionais. É com elas (e com a ausência de “informação” em contrário)
que a GNR explica por que deixou a estrada aberta. E também devido a elas
que a ANPC explica a quebra sucessiva do serviço do SIRESP. O IPMA concorda
— e até indica a possibilidade de ocorrência de um “*downburst*”, fenómeno
atípico que pode ter espalhado o fogo rapidamente pela estrada e que ainda
não foi localizado na escala do tempo.
Mas o IPMA sublinhou mais dois dados: a conjugação desse possível fenómeno
com “a dinâmica própria do incêndio”; e os alertas que fez à ANPC — desde a
quarta-feira anterior ao incêndio — sobre as condições propícias a fogos de
larga escala também naquela região.
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E é aqui que ficam mais algumas perguntas por responder: se, havendo esses
alertas, houve reforço de meios de prevenção. Mas estas perguntas o
primeiro-ministro não dirigiu ainda a estes organismos — os pedidos de
esclarecimento foram apenas sobre os alertas meteorológicos, as eventuais
falhas no SIRESP e a “estrada da morte”.
Olhando para os restantes dados oficiais disponíveis no site da Protecção
Civil, podem acrescentar-se mais algumas dúvidas. Exemplos: o que aconteceu
das 14h43 até às 18h50, quando o IC8 foi fechado (e quando estavam apenas
156 homens no terreno); ou o que aconteceu das 19h49 (o primeiro registo
conhecido de pedido de meios para a “estrada da morte”) até às 22h41,
quando são pedidos psicólogos para o local.
[image: PÚBLICO -]
tp.ocilbup@siniD.divaD
*Muitos...muiiiitos namorados, espalhados ao longo do tempo pelo estado do
estado a que chegou o estado!*
*Este estado que é nosso, também nós todos, culpados!*
*O estado, que também pagaram, primeiro com os bolsos, os queimados, cujos
impostos desperdiçados as vidas lhes roubaram!*
*Haverá crueldade mais cruel?*
*Ao longo de anos de governos e de grandes negócios, envolvendo tantas
tutelas, em nome do interesse público e de cautelas.*
*Quantos múltiplos do milhão da solução de Mação foram retirados em vão ao
erário público?*
*Haverá investigações e haverá prescrições. Incerta será a conclusão.*
*Mas não haverá perdão! Isso NÃO!*
*Sande Brito Jr*
*Ninguém diz nada sobre o que aconteceu na "estrada SEM SORTE"*
Respostas a Costa deixam espaços em branco, sobretudo sobre o que se passou
na EN 236-1. E leituras divergentes entre os organismos. E mais dúvidas por
explicar. Culpas, só do SIRESP. E do tempo (mas o IPMA diz que avisou).
[image: David Dinis]*David Dinis* <https://www.publico.pt/autor/david-dinis>
23 de Junho de 2017, 22:45
*[image: Adriano Miranda]*
Foto
Adriano Miranda
Passou uma semana sobre a tragédia, vieram três respostas oficiais ao
primeiro-ministro e continua tudo em branco: ninguém diz uma só palavra que
permita explicar o que aconteceu no sábado passado na EN 236-1, a estrada
onde morreram 47 das 64 vítimas mortais do incêndio de Pedrógão Grande.
Foi na segunda-feira à noite que António Costa pediu respostas “urgentes”
às dúvidas que mais inquietavam o Governo. E foi nesta sexta-feira que
chegou a última resposta, da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC).
Da leitura cruzada desse comunicado e dos outros dois (Instituto Português
do Mar e da Atmosfera e Guarda Nacional Republicana) conseguimos chegar a
uma primeira cronologia “autorizada” da tragédia. Mas ninguém diz a que
horas terão morrido aquelas famílias, como elas ficaram encurraladas ou a
que horas (e por quem) foram encontradas. Tão pouco algum assumir de
responsabilidades, que vão passando de um lado para o outro.
O primeiro “culpado” assumido por todos é o SIRESP, o sistema de
comunicações que já toda a gente sabia ter falhado, mas que ninguém
adivinhava até quando: foram quatro dias cheios de problemas (até
terça-feira, quando o fogo levou à evacuação de dezenas de aldeias em
Góis), diz o presidente da Protecção Civil. Durante todo esse tempo as
falhas foram consistentes, acrescenta Joaquim Leitão, e levaram as forças
no terreno a procurar formas alternativas de comunicação.
As respostas da ANPC e as muitas falhas aí apontadas levaram nesta
sexta-feira à noite o primeiro-ministro a pedir à ministra da Administração
Interna “o cabal esclarecimento do ocorrido" junto da SIRESP, SA. O pedido
consta de um curto despacho assinado por António Costa e que é igualmente
dirigido ao Ministério da Justiça, "por poder ser elemento relevante para o
inquérito [judicial] em curso” na Procuradoria-Geral da República.
O relato da Protecção Civil pode resumir-se assim: na noite da tragédia
houve uma primeira falha do SIRESP às 19h45, cerca de 55 minutos depois de
ter sido encerrado o IC8, e esse sistema perde três postos de comunicação
entre as 21h12 e 21h16 — mas explica que quatro minutos depois já se usavam
de novo “comunicações de redundância”. É aqui que as instituições
envolvidas no combate ao incêndio divergem: se a ANPC diz que essas
“situações foram supridas com recurso a redes” alternativas, a GNR alega
que houve “falhas na comunicação (todas)”. Eis a versão do
comandante-geral: “Passado algum tempo” do fecho do IC8 (18h50) a GNR teve
que recuar, mas mantendo aberta a “estrada da morte” (sem “qualquer
indicador ou informação” de perigo). E garante que se manteve “em toda a
área”, “apesar das dificuldades de comunicação (todas)”. A palavra “todas”
é a que faz a diferença — porque é onde a GNR anota que as alternativas ao
SIRESP não estavam também em funcionamento normal.
Da leitura dos três comunicados sobram mais algumas dúvidas sobre as horas
mais mortíferas do incêndio: não só ninguém diz quais foram, como ninguém
diz quando se percebeu o perigo ou quando (e que autoridades) entraram pela
estrada — em combate ou em socorro.
Segundo consenso: o tempo
Mas, para além do SIRESP, que todos admitem ter falhado, há um outro
consenso sobre o que se passou no terreno: as condições meteorológicas
excepcionais. É com elas (e com a ausência de “informação” em contrário)
que a GNR explica por que deixou a estrada aberta. E também devido a elas
que a ANPC explica a quebra sucessiva do serviço do SIRESP. O IPMA concorda
— e até indica a possibilidade de ocorrência de um “*downburst*”, fenómeno
atípico que pode ter espalhado o fogo rapidamente pela estrada e que ainda
não foi localizado na escala do tempo.
Mas o IPMA sublinhou mais dois dados: a conjugação desse possível fenómeno
com “a dinâmica própria do incêndio”; e os alertas que fez à ANPC — desde a
quarta-feira anterior ao incêndio — sobre as condições propícias a fogos de
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alertas, houve reforço de meios de prevenção. Mas estas perguntas o
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esclarecimento foram apenas sobre os alertas meteorológicos, as eventuais
falhas no SIRESP e a “estrada da morte”.
Olhando para os restantes dados oficiais disponíveis no site da Protecção
Civil, podem acrescentar-se mais algumas dúvidas. Exemplos: o que aconteceu
das 14h43 até às 18h50, quando o IC8 foi fechado (e quando estavam apenas
156 homens no terreno); ou o que aconteceu das 19h49 (o primeiro registo
conhecido de pedido de meios para a “estrada da morte”) até às 22h41,
quando são pedidos psicólogos para o local.
[image: PÚBLICO -]
tp.ocilbup@siniD.divaD
