A JEITO, A JEITO…

 

Não me convidem para visitar doentes nos hospitais nem para, e vai rimar, assistir a funerais, pois quando vou a qualquer destes locais é porque… porque… sinto que não posso deixar de ir.

Por azar meu, e porque não havia mais nada para ver, abri a TV quando João Soares - ele que até há alguns tempos se mostrava rebento rebelde -  fazia uma declaração de amor ao pai com tanto ênfase que até me apeteceu chorar por idear  um futuro desgraçadinho, que, coitado dele, deve odiar a morte, e de morte, o espantalho da foice, para uns, ou Átropos (Morta) para quem é mais dado às mitologias grega e romana.

Pois o Joãozinho, tristonho, melhor, com aquela cara que um deus sem jeito para escultura lhe deu, palavra sim, palavra, não, lá estribilhava “o meu pai Mário Soares”. “o meu pai Mário Soares”.

Arrepiante. E como quando me arrepio me saltam pensamentos vígaros, lembrei-me de, aqui há uns anos, encontrar um casal amigo acompanhado do filho e de uma jovem bonitinha.

Feitos os cumprimentos da praxe, o jovem sentiu-se na obrigação de me apresentar a moça:

- A minha namorada Joana

Assim mesmo, sem espaço apara respirar.

- Tem mais? – perguntei com um sorriso situado entre o alarve do Centeio e o rouba-a-rir do Cevada, também conhecido por Tony Chamuça.

- Não, não - respondeu ele meio atrapalhado – Só tenho mesmo esta. O que o levou a pensar que tenho mais alguma?

- Pois… pois… A maneira como o disse…. Olhe, pensamentos indisciplinados, endiabrados, voadores tresmalhados.

Pais e namorados deram uma boa gargalhada, se não foi unissonante, foi, no máximo, a dois tons…

Claro que uma história nada não tem a ver com a outra, mas a associação de ideias é, na verdade, enganosa: como uma homenagem séria consegue despertar uma brincadeira é coisa que, com certeza, nem os psicólogos conseguirão explicar; as psicólogas talvez…

A língua portuguesa é mesmo tramadora. 

Não me convidem para visitar doentes nos hospitais nem para, e vai rimar, assistir a funerais, pois quando vou a qualquer destes locais é porque… porque… sinto que não posso deixar de ir.

Por azar meu, e porque não havia mais nada para ver, abri a TV quando João Soares - ele que até há alguns tempos se mostrava rebento rebelde -  fazia uma declaração de amor ao pai com tanto ênfase que até me apeteceu chorar por idear  um futuro desgraçadinho, que, coitado dele, deve odiar a morte, e de morte, o espantalho da foice, para uns, ou Átropos (Morta) para quem é mais dado às mitologias grega e romana.

Pois o Joãozinho, tristonho, melhor, com aquela cara que um deus sem jeito para escultura lhe deu, palavra sim, palavra, não, lá estribilhava “o meu pai Mário Soares”. “o meu pai Mário Soares”.

Arrepiante. E como quando me arrepio me saltam pensamentos vígaros, lembrei-me de, aqui há uns anos, encontrar um casal amigo acompanhado do filho e de uma jovem bonitinha.

Feitos os cumprimentos da praxe, o jovem sentiu-se na obrigação de me apresentar a moça:

- A minha namorada Joana

Assim mesmo, sem espaço apara respirar.

- Tem mais? – perguntei com um sorriso situado entre o alarve do Centeio e o rouba-a-rir do Cevada, também conhecido por Tony Chamuça.

- Não, não - respondeu ele meio atrapalhado – Só tenho mesmo esta. O que o levou a pensar que tenho mais alguma?

- Pois… pois… A maneira como o disse…. Olhe, pensamentos indisciplinados, endiabrados, voadores tresmalhados.

Pais e namorados deram uma boa gargalhada, se não foi unissonante, foi, no máximo, a dois tons…

Claro que uma história nada não tem a ver com a outra, mas a associação de ideias é, na verdade, enganosa: como uma homenagem séria consegue despertar uma brincadeira é coisa que, com certeza, nem os psicólogos conseguirão explicar; as psicólogas talvez…

A língua portuguesa é mesmo tramadora.