ANFITEATRO DE MIL CORES
Ó Douro
anfiteatro de mil cores
Em socalcos, de xisto atapetados
No teu palco de vinhedos
És actor,
Dum auto milenar
De encanto e dor!...
Teu soberbo rio
Tortuoso e calmo
Deleita-se,
lânguido e ébrio,
entre escarpas e vinhedos...
Entrega- se ao silêncio do mosto...
E na sua embriaguez
D’alma,
Enfeitiça os olhos
De quem anseia, desvendar
Os seus segredos...
Espelho de cristal resplandecente
Onde as imagens coloridas se diluem...
Amarelos, de bronze, cobreados,
São a tela natural,
que um pintor
Num sopro divinal
pintou!
Manuelavazdecarvalho2016

